O governo federal reconheceu, na manhã desta terça-feira (24), o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, Minas Gerais. A medida, que será publicada em edição extra do Diário Oficial da União, permite o início imediato dos trabalhos de socorro e ajuda humanitária à população afetada pelas chuvas intensas que atingiram a região. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) foi o responsável pelo anúncio oficial.

O reconhecimento federal ocorre após a prefeitura de Juiz de Fora decretar calamidade local, em resposta aos temporais históricos que causaram estragos generalizados. A situação é considerada de alerta máximo para desastres, com a prioridade das ações concentrada no socorro às populações afetadas no município da Zona da Mata mineira.

A Defesa Civil Nacional já deslocou para Juiz de Fora oito técnicos especialistas do Grupo de Apoio a Desastres (Gade). A equipe tem como missão acelerar as ações de assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas. Caso haja necessidade, outros especialistas do mesmo grupo podem ser enviados para a região, que inclui também o município de Ubá, igualmente impactado pelas chuvas.

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O presidente Lula mobilizou equipes federais para atuar em meio à crise, demonstrando a gravidade da situação. O número de mortos em consequência das chuvas já chega a 22 desde segunda-feira (23), segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e da Defesa Civil de Juiz de Fora. Além das vítimas fatais, os registros apontam 440 desabrigados e 331 ocorrências relacionadas aos temporais.

Em Ubá, a prefeitura informou que a sede da Secretaria de Desenvolvimento Social se tornou o ponto oficial de coleta para ajudar as famílias atingidas pelo grande temporal que atingiu a cidade na madrugada. Estão sendo arrecadados materiais de limpeza e higiene pessoal, alimentos não perecíveis, água mineral, roupas e calçados de adultos e infantojuvenis.

A situação em Ubá é tão crítica que, devido à inundação que comprometeu a estrutura de imóveis públicos, a prefeitura suspendeu temporariamente os atendimentos em estabelecimentos de saúde como a farmácia municipal, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e a Policlínica Regional. O serviço de transportes assistenciais também está paralisado. Apenas os atendimentos de hemodiálise serão mantidos, dentro das condições possíveis.

Enquanto as equipes de socorro trabalham no terreno, a previsão do tempo continua preocupante. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), emitiu aviso vermelho para o acúmulo de chuvas em áreas de Minas Gerais, Bahia e São Paulo, e em todo estado do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A previsão de acumulado de chuva entre esta quarta-feira (24) e a sexta-feira (27) pode ultrapassar os 60 milímetros (mm) por hora ou acima de 100 mm/dia, o que aumenta o risco de novas ocorrências e complica ainda mais os trabalhos de resgate e assistência.

O reconhecimento federal do estado de calamidade pública é um passo crucial para liberar recursos e coordenar esforços entre as diferentes esferas de governo. Com a situação ainda em evolução, a população local aguarda por assistência imediata enquanto as autoridades trabalham para minimizar os danos e restaurar a normalidade na região.