O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa do colega Dias Toffoli nesta segunda-feira (26). Toffoli é relator do inquérito que investiga fraudes no Banco Master, e Mendes usou suas redes sociais para afirmar que a atuação do ministro segue rigorosamente as regras processuais. A manifestação ocorre em meio a críticas recentes sobre a permanência de Toffoli no caso.

Na postagem, Gilmar Mendes destacou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou sobre o tema, reconhecendo a regularidade de Toffoli como relator e negando pedidos para seu afastamento do processo. "O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições. No exercício da jurisdição, sua atuação observa os parâmetros do devido processo legal e foi objeto de apreciação da Procuradoria-Geral da República, que reconheceu a regularidade de sua permanência no caso", escreveu Mendes.

As críticas a Toffoli ganharam força no início deste mês, após reportagens informarem que a Polícia Federal encontrou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. Segundo as investigações, esse fundo adquiriu uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que era de propriedade de familiares do ministro. A revelação levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, mas até o momento não houve decisão judicial para alterar a relatoria.

Publicidade
Publicidade

O caso do Banco Master é um dos maiores escândalos financeiros em investigação no país. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que mira o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados pela suposta concessão de créditos falsos. As fraudes, que incluem uma tentativa de compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), podem chegar a impressionantes R$ 17 bilhões. Também são investigados os ex-diretores Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, além de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.

Em dezembro do ano passado, Toffoli tomou uma decisão crucial para o andamento do processo: determinou que a investigação deve prosseguir no STF, e não na Justiça Federal em Brasília. A medida foi baseada na citação de um deputado federal nas investigações, o que garante foro privilegiado na Corte Suprema. A decisão centralizou o caso no Supremo, onde Toffoli continua como relator.

A defesa de Gilmar Mendes ocorre em um contexto de tensão institucional. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso, afirmando que "falta vergonha na cara" a quem defende o dono do Master. Paralelamente, a Polícia Federal segue colhendo depoimentos no Supremo sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

A postura de Mendes reforça a ideia de normalidade processual dentro do STF, mesmo diante das polêmicas. Ao citar o parecer da PGR, o decano busca afastar dúvidas sobre a condução do caso, enfatizando que as instituições estão funcionando dentro dos parâmetros legais. A situação permanece em acompanhamento, com a expectativa de novos desdobramentos nas investigações sobre as fraudes no Banco Master.