A Região Metropolitana de São Paulo registrou uma economia impressionante de 57 bilhões de litros de água entre agosto e dezembro de 2025, graças a uma medida inovadora de gestão da demanda noturna. A iniciativa, coordenada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) em parceria com a SP Águas e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), teve como objetivo principal reduzir as perdas por vazamentos durante a noite, quando a pressão na rede de distribuição aumenta naturalmente devido à queda no consumo.

Para dimensionar o volume economizado, a Sabesp compara que essa quantidade de água seria suficiente para abastecer aproximadamente 10 milhões de pessoas por 30 dias. Em termos de infraestrutura, equivale à capacidade total dos sistemas São Lourenço, Cotia e Rio Claro juntos, que integram o Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Diariamente, a economia representa cerca de 1,2 milhão de caixas d'água de 500 litros.

A gestão noturna funcionou inicialmente por oito horas diárias (das 21h às 5h) entre 27 de agosto e 21 de setembro. A partir de 22 de setembro, o período foi ampliado para dez horas (das 19h às 5h). Segundo a Sabesp, residências com caixas d'água são menos afetadas pela redução temporária de pressão, garantindo o abastecimento normal durante o dia.

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A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, reforça a importância da medida: "O uso consciente de água deve fazer parte da rotina das famílias, principalmente neste período de escassez severa. A ação de cada um tem impacto direto na preservação do nível dos mananciais".

Esta iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações da Sabesp para redução de perdas, que incluiu um aumento de 60% nos investimentos em tecnologia de detecção de vazamentos e capacitação operacional. Como resultado, a empresa passou a reparar uma média de 33 mil vazamentos mensais, reduzindo em 27% a incidência de vazamentos visíveis. O índice de perdas na região metropolitana caiu de 352 litros por ligação/dia em janeiro para 287 litros em novembro de 2025 - uma redução de 13%.

O contexto dessa economia é o novo modelo avançado de gestão hídrica implementado em 2025 na Grande São Paulo. O sistema estabelece sete faixas de atuação baseadas nos níveis dos reservatórios, com medidas progressivas conforme a criticidade. Atualmente, a região encontra-se na faixa 3, que prevê gestão noturna de 10 horas e intensificação de campanhas de conscientização.

As faixas 1 e 2 estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA) e gestão noturna de 8 horas, respectivamente. Nas faixas 4 a 6, prevê-se ampliação do período de redução de pressão para 12, 14 e 16 horas. A faixa 7, considerada a mais grave, inclui rodízio de abastecimento entre regiões e uso de caminhões-pipa para serviços essenciais.

O sistema garante previsibilidade: restrições só são aplicadas após sete dias consecutivos em uma mesma faixa, com relaxamento após 14 dias de retorno ao cenário anterior. A metodologia considera projeções de 12 meses, monitoradas permanentemente pela SP Águas para ajustes conforme mudanças nas variáveis climáticas e de consumo.

Recentemente, o aumento de 7°C na temperatura média causou um aumento de 60% no consumo de água em várias regiões do estado, levando o governo a emitir alerta para uso racional. A Sabesp reforça dicas práticas para economizar água no dia a dia, como reduzir o tempo do banho (que pode economizar até 9 mil litros mensais em uma família de três pessoas), verificar vazamentos em descargas, fechar torneiras durante atividades domésticas e priorizar vassouras em vez de mangueiras para limpeza.

A gestão integrada de recursos hídricos representa um avanço significativo na proteção dos mananciais paulistas, combinando tecnologia, planejamento estratégico e conscientização da população para garantir a segurança hídrica da maior região metropolitana do país.