INTRODUÇÃO
O potencial da energia geotérmica convencional, que aproveita pontos quentes naturalmente fraturados no subsolo, tem sido subestimado por décadas. Enquanto o Departamento de Energia dos EUA projeta que a geotermia poderá gerar 60 gigawatts (cerca de 10% da eletricidade do país) até 2050, especialistas como Carl Hoiland, CEO da startup Zanskar, argumentam que essa estimativa é conservadora. A chave para desbloquear esse potencial esquecido pode estar na interseção entre técnicas modernas de perfuração e inteligência artificial.
DESENVOLVIMENTO
O foco recente tem sido na geotermia aprimorada (EGS), que utiliza técnicas de fraturamento hidráulico semelhantes ao fracking para acessar rochas quentes em profundidade. Empresas como Fervo e Sage Geosystems lideram esse segmento, reconhecido por seu enorme potencial. No entanto, a geotermia convencional permaneceu estagnada, gerando apenas 4 gigawatts nos EUA, com um crescimento mínimo na última década. Segundo Hoiland, isso se deve a suposições ultrapassadas sobre a disponibilidade de reservatórios naturais. "Subestimaram quantos sistemas não descobertos existem, talvez por uma ordem de magnitude ou mais", afirmou ele ao TechCrunch. Com tecnologias de perfuração avançadas, o rendimento de cada reservatório pode aumentar drasticamente, transformando uma oportunidade de dezenas de gigawatts em uma de escala de terawatts.
CONCLUSÃO
A Zanskar está aplicando IA para reavaliar e otimizar a exploração geotérmica convencional, com resultados tangíveis: a reativação de uma usina no Novo México e a descoberta de dois novos locais com mais de 100 megawatts de potencial combinado. Esses avanços, respaldados por um investimento de US$ 115 milhões em uma Série C, demonstram que a geotermia tradicional, longe de ser uma tecnologia obsoleta, pode se tornar um pilar energético significativo se reassumida com ferramentas contemporâneas. O futuro da energia limpa pode, literalmente, estar sob nossos pés, esperando ser remapeado.

