A edição de 2026 do programa Ganhando o Mundo, maior iniciativa de intercâmbio para estudantes de redes públicas da América do Sul, traz uma novidade significativa: pela primeira vez, 10% dos 2 mil jovens selecionados são beneficiários do Bolsa Família. Essa medida, incluída no edital do programa, busca garantir que estudantes de famílias de baixa renda também tenham acesso à experiência internacional, começando a transformar a realidade dessas comunidades.
Os estudantes, com idades entre 15 e 18 anos, vão cursar um semestre letivo em cinco países de língua inglesa: mil embarcam para o Canadá, 300 para a Irlanda, 300 para a Nova Zelândia, 200 para o Reino Unido e 200 para a Austrália. Os primeiros embarques começam no início de janeiro de 2026, enquanto os demais serão escalonados a partir do segundo semestre.
O programa, criado em 2022 e consolidado como a maior iniciativa pública do tipo na América do Sul, seleciona participantes de todos os 399 municípios paranaenses com base em critérios como desempenho escolar, resultados em avaliações como a Prova Paraná Mais e frequência escolar superior a 85%. Na cerimônia que marcou o início da edição 2026, realizada no final de novembro em Curitiba, o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destacou o caráter transformador da iniciativa.
"O Ganhando o Mundo é uma política pública que transforma vidas. Estamos falando de estudantes de todos os 399 municípios do Paraná, muitos deles muito humildes e que nunca tiveram a oportunidade de sair do País. Ao selecionar alunos pelo desempenho e pela frequência escolar, o programa reconhece o esforço, a dedicação e o compromisso com a escola, ao mesmo tempo em que amplia horizontes", afirmou o secretário.
Entre os intercambistas selecionados está Gustavo Henrique Proença Oliveira, de 15 anos, morador de Bituruna, na região Sul do estado. Sua família é inscrita no Bolsa Família, e ele embarca para o Canadá no início de 2026 após se preparar ao longo do ano com bom desempenho escolar e reforço no estudo do inglês. "Tenho procurado me preparar para essa viagem, estudando inglês diariamente e também pesquisando bastante sobre o Canadá para ter uma noção melhor sobre como vai ser minha rotina por lá", conta o jovem, que terá sua primeira experiência fora do Brasil.
"É a primeira vez que vou sair do Brasil, andar de avião, então é tudo novo para mim", diz Gustavo, que também espera inspirar outros alunos de sua escola. "Desejo servir de inspiração para outros alunos, mostrando que é possível alcançar o objetivo do intercâmbio".
Outra estudante selecionada é Jhenifer Macedo de Souza Gonçalves, também de 15 anos, aluna do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Presidente Castello Branco - Premen, em Toledo, no Oeste paranaense. Ela embarca para a Nova Zelândia no segundo semestre e passou o 9º ano inteiro acompanhando atentamente os requisitos do edital. "Desde o começo do ano eu me planejei para ter tudo isso certinho, listado, para poder me inscrever no 1º ano", explica.
Para Jhenifer, participar do programa significa uma chance de transformar perspectivas pessoais e profissionais. "O Ganhando o Mundo é uma oportunidade realmente única, principalmente para famílias com renda baixa, porque você vai ter tudo custeado pela Seed. É uma oportunidade que você não pode perder". Sobre sua seleção, ela completa: "Fiquei muito feliz quando fui chamada e tinha preparado tudo para que isso pudesse acontecer. Estou muito realizada".
A edição de 2026 será a mais ampla já realizada, elevando para 4.540 o total de jovens atendidos desde o lançamento do programa, com investimento acumulado superior a R$ 500 milhões. O pacote de apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) inclui alimentação, hospedagem, transporte interno, emissão de passaporte e vistos, passagens aéreas, exames médicos, vacinas, seguro-viagem, matrícula e mensalidade na escola estrangeira, além de material didático, uniforme e documentação acadêmica. Cada estudante também recebe um auxílio mensal de R$ 800 durante o intercâmbio.
O compromisso do programa não termina com o retorno ao Brasil. Os intercambistas seguem sendo acompanhados pela Seed para desenvolver projetos interdisciplinares nas escolas de origem, estimulando a troca de conhecimentos e multiplicando as experiências vividas. Dessa forma, a transformação pessoal dos participantes reverbera em toda a comunidade escolar, ampliando o impacto do Ganhando o Mundo para além das fronteiras internacionais.

