O Aeroporto Internacional do Galeão – Antônio Carlos Jobim, uma das principais portas de entrada do Brasil e símbolo do Rio de Janeiro, mudou de mãos nesta segunda-feira (30) em um leilão histórico. A empresa espanhola Aena arrematou a concessão por R$ 2,9 bilhões, valor que representa um ágio impressionante de 210,88% sobre o mínimo estabelecido no edital, de R$ 932 milhões. O certame, realizado na sede da B3, em São Paulo, foi marcado por lances acirrados e uma disputa que se estendeu até a etapa do viva-voz.

O leilão, organizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), contou com a presença do ministro Silvio Costa Filho e atraiu três concorrentes de peso. Além da vencedora Aena, que já controla aeroportos como Congonhas (SP), Recife, Maceió, João Pessoa e Aracaju no Brasil, participaram a Zurich Airport – operadora dos terminais de Florianópolis, Macaé, Natal e Vitória – e a RIOgaleão, atual controladora do Galeão.

A disputa foi tão acirrada que, na primeira etapa, de apresentação de envelopes, a Zurich Airport e a Aena fizeram exatamente a mesma proposta: R$ 1,5 bilhão. Já a RIOgaleão, formada pela Vinci Airports (70%) e Changi Airports (30%), ofertou R$ 934.045.874,00. Como houve empate, o processo seguiu para a etapa do viva-voz, onde foram realizados 26 lances até a definição da vencedora.

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Com a vitória, a Aena assume o controle total do aeroporto, já que a Infraero, que detém 49% da operação atual, deixará o negócio. A concessionária espanhola também se comprometeu a pagar à União uma contribuição variável anual correspondente a 20% do faturamento bruto da concessão até 2039. O modelo adotado foi o de venda assistida, uma solução desenhada junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para modernização regulatória e reequilíbrio econômico-financeiro.

O Galeão é um ativo estratégico para a aviação brasileira. Em 2025, o terminal movimentou cerca de 18 milhões de passageiros, o equivalente a 13% do tráfego aéreo nacional. Além de ser crucial para o turismo internacional, recebendo um fluxo significativo de estrangeiros, o aeroporto desempenha papel fundamental na malha doméstica, conectando o Rio de Janeiro a diversas capitais e cidades do interior.

A aquisição reforça a presença da Aena no Brasil, onde já consolida uma rede importante de aeroportos. Para o governo federal, o leilão bem-sucedido do Galeão sinaliza um momento de retomada nos investimentos em infraestrutura aeroportuária. Recentemente, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou a previsão de 40 leilões até 2026 e celebrou a destinação de R$ 5,7 bilhões para ampliação de aeroportos no país.

A transição de gestão deve ocorrer nos próximos meses, e os passageiros e companhias aéreas aguardam para ver os planos da nova controladora para modernizar e expandir as operações do principal aeroporto do Rio de Janeiro.