A futurista americana Amy Webb, autora de um dos relatórios de tendências tecnológicas mais influentes do mundo, fez uma declaração otimista sobre o Brasil durante sua participação no South by Southwest (SXSW), em Austin, nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva à Agência SP, na SP House — hub de negócios e tecnologia do Governo de São Paulo no evento —, Webb afirmou que o país tem potencial para liderar transformações tecnológicas futuras, com São Paulo ocupando posição central nesse processo.

"Eu sempre pensei que o Brasil pode liderar o futuro em muitas áreas diferentes e, obviamente, São Paulo é o epicentro de inovação e de negócios no país", disse a especialista. Segundo ela, o estado reúne condições estratégicas para participar das próximas ondas tecnológicas, seja pela disponibilidade de dados, pelo potencial em inteligência artificial ou por recursos naturais importantes para cadeias tecnológicas globais.

Webb destacou que a conexão entre empresas, universidades e centros de pesquisa será decisiva nos próximos anos. "Há muitas maneiras — seja por minerais raros, dados ou inteligência artificial — para São Paulo, sua comunidade empresarial e acadêmica realmente ajudarem a construir o futuro", explicou. A futurista também enalteceu o papel de ambientes como a SP House para ampliar discussões em escala internacional, especialmente em um momento em que encontros presenciais ganham relevância diante da predominância das interações digitais.

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Outro aspecto que pode favorecer o Brasil, na visão de Webb, é um elemento cultural: o forte senso de comunidade presente no país. "Uma parte interessante da cultura brasileira é essa sensação de comunidade e de união, que pode se tornar ainda mais importante à medida que o mundo se torna mais digital e, ao mesmo tempo, mais dividido", afirmou. Ela acredita que essa característica pode ser um diferencial estratégico em um cenário de avanço da automação sobre o mercado de trabalho global.

Durante um painel na SP House no domingo (15), Webb surpreendeu a plateia com um prognóstico positivo para o Brasil. "Eu acredito profundamente que o Brasil vai ser importante nesse cenário", declarou. Segundo ela, sociedades muito focadas em produtividade e trabalho, como os Estados Unidos, tendem a sofrer mais com a automação, enquanto o senso de comunidade e pertencimento no Brasil funciona como uma proteção.

Ao falar sobre sinais do futuro que empresas e governos devem observar, Webb destacou a convergência entre diferentes tecnologias. Ela citou o uso de dispositivos e novas tecnologias médicas para ampliar capacidades físicas e cognitivas, além das mudanças no mercado de trabalho provocadas pela automação, robótica e inteligência artificial. "Essas convergências são muito importantes para empresas e para as pessoas acompanharem, porque ajudam a tomar decisões diferentes no presente", disse, enfatizando que compreender como essas tecnologias se combinam será essencial para a construção do futuro.

Esta é a terceira participação da SP House no SXSW, evento realizado entre sexta-feira (13) e segunda-feira (16). O espaço do Governo de São Paulo no festival ocupa 2,2 mil m², quase o dobro da edição anterior, com expectativa de receber até 600 pessoas simultaneamente. Com o tema "We are borderless", a edição deste ano propõe refletir sobre a circulação de ideias, talentos e oportunidades em um cenário cada vez mais conectado, funcionando como um ponto de encontro para empreendedores, executivos, investidores e pesquisadores.