INTRODUÇÃO: O fundador da fabricante de spyware Intellexa, Tal Dilian, anunciou que planeja apelar da condenação por um tribunal grego por obtenção ilegal de dados pessoais. A condenação, que resultou em oito anos de prisão, está no centro do escândalo de espionagem apelidado de "Watergate Grego", que abalou o país.
DESENVOLVIMENTO: O caso envolveu o hackeamento em massa de dezenas de telefones de ministros do governo grego, líderes da oposição, militares e jornalistas, utilizando o spyware Predator da Intellexa. A ferramenta é capaz de invadir dispositivos iPhone e Android para roubar registros de chamadas, mensagens, e-mails e dados de localização, geralmente enganando os alvos com links maliciosos. As revelações levaram à renúncia de vários altos funcionários do governo, incluindo o chefe da agência de inteligência nacional e um assessor sênior do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. No entanto, nenhum oficial do governo foi condenado em conexão com a vigilância, levando críticos a acusarem o governo Mitsotakis de encobrimento. Em declaração à Reuters, Dilian afirmou que não será um "bode expiatório" e sugeriu que o governo autorizou os hacks, dizendo: "Acredito que uma condenação sem evidências não é justiça, pode ser parte de um encobrimento e até mesmo um crime". Ele se ofereceu para compartilhar evidências com reguladores nacionais e internacionais.
CONCLUSÃO: O caso destaca as graves implicações do uso de spyware por governos e a necessidade de transparência e responsabilidade. Com Dilian planejando apelar e prometendo revelar evidências, o escândalo do "Watergate Grego" pode continuar a desdobrar-se, pressionando por mais investigações e possíveis condenações de figuras governamentais envolvidas.

