Nesta terça-feira (31), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) dá um passo importante na preservação da memória cultural brasileira com a abertura do novo Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc). Agora vinculado à recém-criada Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (Dimemo), o centro se instala em um casarão histórico na Praça da República, no centro do Rio de Janeiro, antiga sede do Museu da Casa da Moeda.

A inauguração marca o encerramento das comemorações dos 50 anos da Funarte, que durante três meses promoveu ações por todo o país para destacar sua importância para a cultura brasileira. "Nesse 31 de março, a Funarte completa esse circuito de três meses de celebração de uma história, mas também valorizando, sobretudo, o papel formulador de política pública para as artes e agora com um marco de instituição da nossa Política Nacional das Artes", afirmou a presidenta da Funarte, Maria Marighella, em entrevista à Agência Brasil.

O novo espaço abriga um acervo impressionante de mais de 2 milhões de itens que preservam a memória das artes brasileiras e da própria instituição. Entre os tesouros guardados estão coleções fundamentais para a história cultural do país, como os acervos do dramaturgo Oduvaldo Vianna, do produtor Walter Pinto e do ator Fernando Peixoto - todos registrados no Programa Memória do Mundo da Unesco.

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"É um acervo muitíssimo vasto e amplo que nos dá a dimensão e a grandeza dessa riqueza", destacou Maria Marighella, ressaltando que a abertura do Cedoc representa também um convite para outras instituições culturais se unirem em uma rede de proteção da memória artística nacional.

Como atração inaugural, o Cedoc apresenta a Ocupação Grande Othelo, exposição que mergulha na vida e obra do primeiro artista negro a alcançar destaque no teatro, rádio, cinema e televisão brasileiros. A mostra, que já passou pelo Itaú Cultural em São Paulo, agora se instala definitivamente no Rio com mais de 160 itens que incluem rascunhos de poemas, partituras originas dos anos 1940, roteiros, objetos pessoais e até um contrato com a Rede Globo de 1967.

A visitação gratuita à exposição sobre Grande Othelo estará aberta até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. A partir de maio, escolas poderão agendar visitas guiadas através do Programa Educativo do Cedoc.

As celebrações dos 50 anos da Funarte continuam no mesmo dia com outra abertura importante: às 16h, o Palácio Gustavo Capanema, sede histórica da instituição, recebe a exposição Visualidades Brasileiras - Funarte 50 Anos. A curadoria de Luíza Interlenghi reúne cinco décadas de arte contemporânea, políticas públicas e diversidade estética, revisitando iniciativas históricas como os Salões Nacionais de Artes Plásticas e o Projeto Macunaíma.

A programação cultural se estende até a noite com um show especial nos Pilotis do Palácio Capanema, a partir das 18h. As cantoras nordestinas Cátia de França (Paraíba), Josyara (Bahia) e Juliana Linhares (Rio Grande do Norte) se apresentam em um espetáculo que articula tradição e contemporaneidade através da música brasileira independente.

Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público, representando um marco na reocupação do Palácio Capanema, que após nove anos fechado foi reaberto em 2025 após um intenso trabalho de restauro do Iphan. "É neste terreno emblemático que a Funarte conclui sua festa de aniversário: a primeira vez, desde o fechamento do edifício, que um evento público convoca a presença maciça da população ao local", completou a Funarte em nota.