O município de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, conquistou um marco histórico ao figurar entre as 10 cidades com melhor saneamento do Brasil no Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil, considerando o grupo dos 100 maiores municípios do país. A ascensão é resultado direto de um robusto cronograma de investimentos executado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que nos últimos sete anos aplicou mais de R$ 165 milhões na infraestrutura hídrica da cidade.

Os recursos foram direcionados principalmente para a expansão da rede coletora de esgoto em bairros periféricos e a modernização das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Com isso, Foz do Iguaçu já atingiu a excelência no atendimento urbano de água tratada e se aproxima da universalização total de esgoto prevista pelo Marco Legal do Saneamento. O desempenho reforça a conexão direta entre infraestrutura básica e qualidade de vida, um fator crítico para uma cidade cuja economia é fortemente baseada no turismo ecológico.

“A Sanepar trabalha com programação de investimentos constantes para manter a oferta de água tratada de qualidade, garantindo saúde e conforto à população e buscando a universalização do serviço de esgoto. Investir em saneamento é sinônimo de saúde e desenvolvimento econômico”, afirma o presidente da Sanepar, Wilson Bley. Os investimentos focaram em tecnologia de ponta para monitoramento de vazamentos e no aumento da capacidade de reservação, garantindo segurança hídrica em uma região de altas temperaturas.

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Este cenário de eficiência técnica reflete-se claramente nos indicadores sociais. Com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,751 — considerado alto —, Foz do Iguaçu demonstra que o acesso ao saneamento impulsiona tanto a saúde quanto a economia. O gerente-geral da Sanepar na região Sudoeste, Marcio Luis de Souza, explica que a ampliação dos sistemas gera economia nos serviços de saúde pública: “Para cada um real investido em saneamento, deixamos de gastar quatro reais com saúde pública, promovendo a redução das doenças de veiculação hídrica”.

Para alcançar o topo do ranking, a cidade investiu pesado na Gestão Ativa de Perdas, combatendo o chamado “desperdício invisível” — vazamentos que ocorrem no subsolo, não visíveis na superfície. Segundo a gerente regional Polyana Varlett, a Sanepar reduziu o índice de perdas de 38,56% para 29,49% desde 2021. “Isto significa que, num período de cinco anos, o volume total economizado foi de mais de 7 bilhões de litros de água. Esse volume daria para abastecer por 18 meses um município como Medianeira, na região Oeste”, detalha Polyana.

O combate a esse “inimigo oculto” é realizado através de um Centro de Controle Operacional (CCO) que funciona 24 horas por dia, monitorando em tempo real todas as etapas do abastecimento. Utilizando tecnologia de telemetria, a equipe controla redes, reservatórios e estações, agilizando respostas a vazamentos e interrupções. “O monitoramento permite respostas mais rápidas em caso de falhas no sistema de bombeamento ou vazamento, enviando equipes para reparo ágil”, complementa a gerente.

Outra inovação que contribuiu para a redução de perdas foi a operação de válvulas redutoras de pressão (VRP) “Day Night”. Estes dispositivos hidráulicos inteligentes automatizam a redução da pressão na rede durante a noite, quando o consumo diminui, combatendo vazamentos, protegendo tubulações e reduzindo a possibilidade de novas ocorrências. A integração de dados de diversos sensores espalhados pela cidade centraliza informações e aumenta a inteligência operacional, assegurando ajustes para otimizar o abastecimento.

A eficiência na destinação final dos resíduos líquidos tem sido um diferencial crucial para a preservação dos rios locais, fundamentais para o turismo ambiental. Com seis cidades paranaenses entre as 20 melhores do ranking nacional — lideradas pela Sanepar —, o estado consolida-se como referência em saneamento básico, mostrando que investimentos planejados e tecnologia podem transformar realidades e elevar a qualidade de vida da população.