Duas mulheres foram mortas e uma terceira sobreviveu a uma tentativa de feminicídio na Grande São Paulo nesta segunda-feira (23), em casos que ilustram o cenário de violência de gênero que atinge o país. Os crimes, ocorridos em diferentes regiões da metrópole, resultaram na prisão de três homens e acenderam o alerta sobre a escalada desse tipo de violência, que já bateu recorde nacional em 2025.
Na zona norte da capital paulista, uma mulher de 22 anos chegou morta a um hospital, com machucados e hematomas pelo corpo. O homem de 36 anos que a levou ao local foi preso por feminicídio. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o suspeito foi detido e encaminhado ao 73º Distrito Policial, no Jaçanã, tendo sua prisão convertida em preventiva. No carro dele, foram encontrados um galão de gasolina e vestígios de sangue. O veículo e o celular do indiciado foram apreendidos para perícia, e exames foram requisitados ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal (IML).
Em Itapecerica da Serra, na região metropolitana, um homem de 25 anos foi preso em flagrante por feminicídio na tarde de ontem. Guardas civis municipais atenderam a uma ocorrência de violência doméstica e encontraram uma mulher de 20 anos morta em sua casa. O crime teria ocorrido após uma discussão. O agressor foi localizado, confessou o ato e foi preso, permanecendo à disposição da Justiça. A perícia e o IML foram acionados, e o caso foi registrado na Delegacia de Itapecerica da Serra.
Na zona leste de São Paulo, uma jovem de 18 anos foi esfaqueada na noite de segunda-feira por um homem de 37 anos. A vítima foi levada ao Hospital Geral de Guaianases, e o agressor foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio. A faca utilizada no crime foi apreendida, e o caso foi registrado na 8ª DDM, em São Mateus, com o suspeito encaminhado à delegacia.
Esses episódios se somam a um quadro alarmante no Brasil. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o país atingiu um recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, o que equivale a quatro mortes por dia. Em 2024, já havia sido registrado um recorde anterior, com 1.458 vítimas. Em São Paulo, o estado também registrou o maior número desde o início da série histórica, em 2018, com 270 casos em 2025, um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior.
Especialistas ouvidas pela Agência Brasil analisaram o grave cenário de violência contra a mulher no país, destacando a necessidade de políticas públicas mais efetivas. Os casos recentes na Grande São Paulo reforçam a urgência de ações, como o decreto que incluiu o Ligue 180 no Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, e lembram tragédias anteriores, como a da mulher encontrada esquartejada numa mala pela polícia de São Paulo e o bloco no Rio de Janeiro que homenageou Maria da Penha enquanto denunciava o recorde de feminicídios.
A violência doméstica e de gênero continua a desafiar autoridades e sociedade, com cada novo caso servindo como um triste lembrete da luta ainda necessária para proteger a vida das mulheres no Brasil.

