O estado de São Paulo foi palco de duas tragédias domésticas neste final de semana que escancaram a violência contra a mulher no Brasil. Duas mulheres foram assassinadas dentro de suas próprias casas, vítimas de feminicídio, em crimes que ocorreram em Diadema e Santo André, na região metropolitana da capital paulista. Os casos se somam a uma estatística alarmante: apenas em 2025, o país já registrou mais de 1.180 feminicídios, segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero.
No sábado (6), por volta das 22h15, uma mulher de 27 anos foi morta a golpes de faca em uma casa na rua Yayá, no bairro Canhema, em Diadema. De acordo com a Polícia Civil, um vizinho ouviu o pedido de socorro da vítima e acionou a Polícia Militar. Quando os agentes chegaram ao local, encontraram a mulher e seu agressor já sem vida. A perícia constatou que o homem cometeu suicídio após assassinar sua companheira. A faca utilizada no crime foi apreendida no local. O caso foi registrado como feminicídio e suicídio no 3º Distrito Policial de Diadema.
Já no domingo (7), por volta das 8h15, uma mulher de 38 anos foi esfaqueada dentro de uma casa no Jardim do Estádio, bairro de Santo André. A PM foi acionada para atender uma ocorrência de violência doméstica e, ao chegar ao endereço, encontrou a vítima caída no chão. O marido dela, também de 38 anos, estava ao lado do corpo e confessou o crime. A mulher foi levada com vida a um hospital próximo, mas não resistiu aos ferimentos. A arma do crime foi apreendida e o homem foi preso, com o caso registrado como feminicídio.
Essas mortes ocorreram em um contexto de crescente mobilização contra a violência de gênero no país. No mesmo domingo, protestos organizados por várias entidades reuniram centenas de pessoas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O movimento foi convocado após casos recentes que chocaram o país, como o atentado contra Tainara Souza Santos, que foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, resultando na amputação de suas duas pernas. O criminoso, Douglas Alves da Silva, foi preso.
Em Brasília, o ato contou com a participação de seis ministras, deputadas federais e da primeira-dama Janja Lula da Silva. Nas manifestações, as participantes denunciaram a onda de feminicídios e cobraram do Estado mais proteção e políticas de prevenção à violência contra a mulher. O lema "Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!" ecoou na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Os números reforçam a urgência do tema. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios no país, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. A repetição de casos como os de Diadema e Santo André evidencia que o lar, que deveria ser um espaço de segurança, tem se transformado em um cenário de risco para muitas brasileiras, demandando ações efetivas e contínuas de combate a essa violência.

