O estado de São Paulo registrou um aumento alarmante de 45% no número de vítimas de feminicídio em fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2025. Os dados, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), mostram que o número de mulheres assassinadas passou de 20 para 29, um salto que acende o alerta sobre a violência de gênero no estado mais populoso do país.

No acumulado do ano, a situação é igualmente preocupante. Foram 56 mulheres mortas em apenas dois meses, o que representa um aumento de 33% em relação ao ano anterior, quando houve 42 vítimas desse tipo de crime no primeiro bimestre. Esse cenário contrasta com a queda observada em outros crimes violentos, como homicídios dolosos e latrocínios, que apresentaram reduções significativas no mesmo período.

Os casos de estupro também tiveram um leve aumento em fevereiro, passando de 1.201 registros em 2025 para 1.212 em 2026, com 11 casos a mais. No entanto, no acumulado de janeiro e fevereiro, houve uma redução, caindo de 2.487 para 2.397 registros, ou seja, 90 casos a menos. Essa queda no bimestre pode indicar uma tendência de estabilização, mas o aumento pontual em fevereiro ainda preocupa.

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Já os homicídios dolosos apresentaram queda tanto no mês como no acumulado. Foram 179 casos notificados em fevereiro deste ano, uma redução de 11% em relação a fevereiro de 2025, quando houve 201 registros. Em janeiro e fevereiro deste ano, foram 369 boletins de ocorrência, 11,3% a menos comparado ao mesmo período de 2025, que teve 416 registros. Essa diminuição é vista como um avanço nas políticas de segurança pública para crimes em geral.

Os latrocínios seguiram a mesma tendência de queda, com o número de casos caindo de 10, em fevereiro do ano passado, para cinco em fevereiro deste ano. No acumulado do bimestre, os registros desse tipo de crime passaram de 28 para 12 casos, uma queda expressiva de 57%. Essa redução reflete esforços no combate a crimes que envolvem roubo seguido de morte.

Os roubos em geral – incluindo outros, de carga e a banco – tiveram queda de 18,4%, passando de 14.208 para 11.591, na comparação entre fevereiro de 2025 e de 2026. No bimestre, os roubos caíram 21,4% em relação ao mesmo período de 2025, passando de 30.180 para 23.719 registros. Segundo a SSP, este é o menor índice registrado desde o início da série histórica, em 2001, um marco positivo na luta contra a criminalidade.

Os roubos de veículos seguiram a mesma tendência de queda, com 1.382 registros em fevereiro deste ano ante 2.250 no mesmo mês do ano passado. No total do bimestre, os registros desse tipo de crime caíram de 4.562 para 2.743. Já os furtos em geral caíram de 44.982, em fevereiro de 2025, para 42.341 no mesmo mês deste ano. No acumulado, as ocorrências passaram de 93.008 para 86.567, indicando uma melhora geral na segurança patrimonial.

Enquanto os dados mostram avanços em várias frentes, o aumento dos feminicídios destaca a urgência de medidas específicas para proteger as mulheres. Notícias relacionadas, como o caso de uma jovem de 24 anos vítima de feminicídio em Bragança Paulista, o STJ negando pedido para soltar um tenente-coronel acusado desse crime, e a líder política Gleisi Hoffmann reforçando a necessidade de adesão ao pacto contra o feminicídio, ilustram a gravidade do problema e a mobilização em torno dele.

Especialistas alertam que, apesar da queda em outros índices criminais, a violência contra as mulheres requer atenção redobrada e políticas públicas eficazes. A SSP continua monitorando os dados, mas a sociedade civil e as autoridades precisam unir forças para reverter essa tendência preocupante e garantir a segurança das mulheres em São Paulo e em todo o Brasil.