A exposição "O Pequeno Príncipe", aberta no último sábado (20) no Museu da Imagem e do Som em São Paulo, vai muito além de uma simples mostra sobre o livro infantil mais famoso do mundo. A proposta é mergulhar nos contextos históricos e pessoais que levaram o francês Antoine de Saint-Exupéry a criar essa obra que tem mais de 600 traduções e milhares de exemplares vendidos globalmente.
De acordo com a curadora da exposição, Mônica Cristina Corrêa, é fundamental conhecer a história do criador para entender as mensagens profundas presentes na obra. "Ao conhecer mais o autor, a gente entende melhor 'O Pequeno Príncipe'. Por exemplo, o livro tem um tema que é universal e inerente a qualquer ser humano: a morte", disse Mônica. A curadora explica que o autor aborda a morte como ponto de reflexão sobre o sentido da vida: "O essencial da vida não é aquilo que você compra, não é aquilo que você consome, é aquilo que você faz como legado, com as relações humanas".
A mostra conduz o público por uma jornada cronológica sobre a criação do livro, destacando momentos marcantes da vida de Saint-Exupéry, como seu exílio nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. A primeira publicação aconteceu justamente durante esse exílio, em 1943, enquanto a obra só foi lançada na França em 1945, após a morte do autor. "Só no fim da guerra, quando ele já tinha morrido, o livro foi publicado na França. E isso é muito significativo. 'O Pequeno Príncipe' é o último livro da sua vida. Uma síntese de tudo que ele sentiu, pensou, desenhou e escreveu", completou Mônica.
Para a curadora, muitos leitores separam a narrativa do livro do contexto em que foi escrito, o que causa uma banalização das mensagens contidas na obra. "Nossa proposta é convidar as pessoas para refletir junto de Saint-Exupéry e viajar com 'O Pequeno Príncipe'", conclui.
A exposição é dividida em quatro espaços distintos que dialogam com diferentes aspectos da vida e da obra do autor. Na entrada, o público encontra um ambiente com pisos de pedra e vitrines que remetem às ruas parisienses, elementos que fizeram parte da infância de Saint-Exupéry.
Em seguida, a mostra apresenta um hangar com a linha do tempo da vida do autor, onde um enorme avião está à mostra - elemento marcante de 'O Pequeno Príncipe' e paixão pessoal de Saint-Exupéry, que era piloto. Mônica Corrêa contou que foi desafiador representar o avião porque a obra original não descreve a aparência do veículo.
Adiante, três salas propõem imersão do público na obra, apresentando elementos icônicos como a Rosa, a Raposa, os planetas e as enormes árvores baobás. A trilha sonora, criada exclusivamente para a exposição, amplia a sensação de presença na narrativa.
Por fim, a exposição apresenta uma sala de imersão 360º que recria, em grande escala, as passagens mais marcantes do livro, combinando aquarelas originais, animações e trilha sonora para uma experiência completa.
O Museu da Imagem e do Som (MIS) está localizado na Rua Cenno Sbrighi, no bairro Água Branca, em São Paulo. O museu está aberto de terça a domingo, das 10h às 19h. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) de quarta a sexta; R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) aos sábados, domingos e feriados. Às terças-feiras, a entrada é gratuita para todos os visitantes.
Para adquirir os ingressos, os interessados devem acessar o site oficial da exposição. A mostra promete ser uma oportunidade única para os fãs da obra entenderem as camadas profundas por trás do aparentemente simples conto do principezinho que viaja pelos planetas.

