O Museu Oscar Niemeyer (MON) inaugura nesta quinta-feira (04) uma nova ativação para a exposição "África, expressões artísticas de um continente", intitulada "Intersecções contemporâneas – Ano da França no Brasil". A mostra, que ocupa a Sala 4 do museu, ganha novos contornos no contexto das celebrações dos dois séculos de relações diplomáticas entre Brasil e França, promovendo um intercâmbio cultural e artístico que atravessa continentes.

Para a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, a iniciativa é um exemplo concreto de como a cooperação cultural pode gerar novas formas de diálogo e criação. "Quando obras, narrativas e sensibilidades circulam entre continentes, ampliamos nossa capacidade de reconhecer a diversidade como valor compartilhado", afirma.

A diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, destaca o papel do museu como instrumento vivo de valorização e democratização da cultura. "Com esta ativação, o MON traz até o seu visitante um importante diálogo entre a arte africana tradicional e a sua transversalidade, que ganha cada vez mais espaço no contemporâneo", explica.

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A nova edição é uma parceria do Museu Oscar Niemeyer com a Coleção Ivani e Jorge Yunes (CIJY) e o Instituto Tomie Ohtake, ambos de São Paulo. Segundo Juliana Vosnika, o público terá acesso a dois projetos distintos simultaneamente. O primeiro consiste na instalação de dois vídeos das artistas Josèfa Ntjam e Tuli Mekondjo, fortemente conectadas à questão da diáspora africana na França, com curadoria de Nadine Hounkpatin, nascida no Benin e radicada na França há muitos anos.

O segundo projeto, com curadoria de Paulo Miyada e Ana Roman, aborda o tema "Errâncias: Entre Brasil, França, África e Caribe", a partir de residências oferecidas pelo Instituto Édouard Glissant, na Martinica (Caribe), a artistas do mundo todo. "A participação dos artistas brasileiros Rayana Rayo e José Eduardo Ferreira Santos resultou na criação de obras exibidas nesta exposição", detalha Juliana.

O curador Renato Araújo contextualiza a mostra dentro das comemorações da temporada cultural França-Brasil. "Como parte das comemorações, o Museu apresenta, neste momento, intervenções ligadas à França e à sua região ultramarina, a Martinica. Em diálogo com o acervo, cada intervenção possui formas, gestos e narrativas próprias", afirma.

Ele explica que uma das propostas apresenta a instalação de vídeo-arte "Presenças: Corpos, Objetos e Memórias", com curadoria da especialista franco-beninense Nadine Hounkpatin. "As obras fundem filosofia, tecnologia e espiritualidade africanas, reimaginando a herança negra como um agente vivo de memória e resistência", diz Araújo.

A outra proposta mostra o trabalho da artista Rayana Rayo e do curador José Eduardo, do Acervo da Laje (Bahia), que realizaram uma residência artística na Martinica em parceria com o Instituto Tomie Ohtake (SP) e o Glissant Art Fund. "A experiência partiu dos conceitos de errância, crioulização e relação, formulados pelo filósofo Édouard Glissant", explica o curador.

As obras afro-brasileiras de César Bahia (Salvador), que reverberam a herança formal e simbólica das culturas africanas, e as pinturas de Rayana Rayo (Recife), que investigam recipientes como metáforas do corpo e do abrigo, criam zonas de intersecção entre territorialidades e temporalidades. "Essas 'Errâncias entre Brasil, França, África e Caribe' articulam memória, origem e deslocamento, propondo uma escuta ampliada do legado africano e de seus desdobramentos no contexto brasileiro", acrescenta.

Em sua terceira edição, a mostra "África, expressões artísticas de um continente" consolida um longo e criterioso processo que culminou na chegada de uma das mais importantes e significativas coleções de arte africana ao Museu Oscar Niemeyer. O MON, patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional, além de grandiosas coleções asiática e africana. Com aproximadamente 14 mil obras de arte em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, é o maior museu de arte da América Latina.

Serviço:
"África, expressões artísticas de um continente – Intersecções contemporâneas – Ano da França no Brasil"
Inauguração: 4/12, quinta-feira
Horário: 18h30
Sala 4
Museu Oscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico