O Museu Oscar Niemeyer (MON) em Curitiba renova sua exposição "Ásia: a Terra, os Homens, os Deuses" com uma edição especial que marca os 130 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Japão. A mostra, que ocupa a Sala 5 do museu, abre ao público no dia 28 de novembro, às 18h30, trazendo obras inéditas do acervo permanente e reforçando o papel do MON como espaço de diálogo intercultural.
A curadoria de Fausto Godoy concebeu esta edição como um tributo à amizade entre os dois países, destacando não apenas as robustas relações comerciais – que movimentaram US$ 11 bilhões em 2024 – mas, sobretudo, os laços humanos construídos ao longo de mais de um século. "É nas relações entre as pessoas que reside o apanágio da nossa amizade", afirma Godoy, referindo-se à comunidade nikkei no Brasil e aos brasileiros residentes no Japão, que "solidificam a nossa parceria" em um "processo pendular entre culturas".
A novidade desta temporada inclui uma doação recente da embaixatriz Maria Ligaya Fujita, viúva do embaixador Edmundo Fujita, primeiro diplomata nipo-brasileiro do Itamaraty. A coleção doada reúne esculturas, porcelanas, pinturas, lacas, móveis, vestimentas e outros objetos adquiridos em feiras e antiquários da Ásia, especialmente do Japão, Coreia e Indonésia, durante os 25 anos em que o casal viveu em centros como Tóquio, Seul e Jacarta.
Maria Ligaya compartilha que a paixão pela Ásia, "berço de antigas civilizações", os levou a se tornarem "colecionadores acidentais", construindo pontes entre culturas de forma espontânea. "Inspirada pelo exemplo do embaixador Fausto Godoy, que doou seu valioso acervo ao MON, compartilho agora este conjunto como instrumentos de aprendizagem, memória e aproximação entre Brasil e Ásia", declara.
Para Luciana Casagrande Pereira, secretária de Estado da Cultura do Paraná, a exposição amplia a forma como o público se conecta com a Ásia e suas tradições. "É uma oportunidade rara de perceber como diferentes culturas se encontram, se transformam e dialogam a partir desse valioso recorte do acervo do MON", destaca.
Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON, ressalta que a coleção asiática foi disputada por outras instituições e colecionadores, mas pertence ao museu e aos paranaenses. "Maior museu de arte da América Latina, o MON viu seu acervo quintuplicar nos últimos anos, com ênfase nas artes asiática, africana e latino-americana, tornando-o mais plural", explica. A chegada de cerca de 3 mil obras, anos atrás, coincidiu com essa redefinição do acervo.
Além das peças internas, a exposição ganha reforço na área externa com um "Robô Interativo" e novas esculturas, ampliando o alcance da mostra. Cada objeto da coleção guarda memórias pessoais e coletivas, traduzindo a diplomacia como prática de intercâmbio cultural, em linha com a missão do MON de abrigar referenciais nacionais e internacionais em artes visuais, arquitetura e design.
Com aproximadamente 14 mil obras em mais de 35 mil metros quadrados de área construída, o MON consolida-se não apenas como um patrimônio estadual, mas como um vetor de integração cultural que, nesta exposição, convida o público a refletir sobre histórias compartilhadas e universos que, embora distantes, se encontram no espaço do museu.

