A exposição HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break, em cartaz no Sesc 24 de Maio, está mergulhando o público na rica história do movimento hip-hop, destacando sua importância não só nas ruas de São Paulo, mas em todo o Brasil. Com curadoria de grandes nomes da cena paulista, como OSGEMEOS, Rooneyoyo e Sharylaine, a mostra reúne mais de 3 mil peças originais, incluindo fotografias, roupas, discos, equipamentos e registros audiovisuais, que contam a trajetória vibrante dessa cultura.
Um dos pontos altos da exposição é o destaque dado ao protagonismo das mulheres no hip-hop. Artistas como Sharylaine e Rose MC ressaltam, em textos expostos, como, nos anos 1980, elas abriram espaço para composições e rimas em um ambiente marcado por machismo, preconceito e sexismo. "Com luta e perseverança, essas mulheres meteram o pé na porta, conquistaram espaço com força e garra", escreveram, evidenciando a resistência e a contribuição feminina para a evolução do gênero.
A mostra também explora as origens do hip-hop, que surgiu nas décadas de 1960 e 1970 no sul do Bronx, em Nova York, nos Estados Unidos, uma região assolada por violência de gangues e repressão policial. Segundo os curadores OSGEMEOS, a ideia é trazer esse cenário de improviso e diversão entre amigos, com o hip-hop emergindo naturalmente em meio ao caos. "O hip-hop aconteceu de forma muito natural no meio de tudo isso", afirmaram em nota, destacando a espontaneidade do movimento.
Figuras essenciais para a cultura hip-hop ganham destaque na exposição, como os trabalhos de Martha Cooper e Henry Chalfant, que foram pioneiros no registro da cultura emergente do Bronx. Cooper é citada como uma das primeiras fotógrafas a documentar o movimento, enquanto Chalfant dirigiu o aclamado documentário Style Wars, considerado um marco do gênero. Outros nomes influentes, como Afrika Bambaataa, Sugar Hill Gang, Van Maude e Michael Jackson, são lembrados por suas contribuições, desde a criação da primeira casa de hip-hop até a difusão mundial do break dance.
No Brasil, a explosão do hip-hop ocorreu nos anos 1980, impulsionada pelo dançarino Ricardinho, do Electric Boogies, que, após uma viagem aos Estados Unidos, começou a se apresentar nas ruas do centro de São Paulo. "Quando ele volta para cá, vai nos bairros e começa a abrir roda de break. A galera não sabia o que era isso", relatam OSGEMEOS. As ruas 24 de Maio e São Bento se tornaram epicentros do movimento, mas isso também atraiu repressão policial, com agentes vendo os dançarinos como "vagabundos e marginais", conforme descrito em um mural da exposição, que ressalta o perfil majoritariamente preto, pardo e periférico dos participantes.
O impacto do hip-hop na cultura brasileira é visível em pontos como o Beco do Batman, na Vila Madalena, onde grafites refletem a influência do movimento. A exposição homenageia essas figuras com manequins que reproduzem a aparência real dos artistas, além de exibir artigos de vestimenta originais, como camisetas, jaquetas e acessórios, emprestados para a ocasião.
A mostra ficará em cartaz até 29 de março de 2026, no Sesc 24 de Maio, localizado na República, no centro de São Paulo. O espaço funciona de terça a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos e feriados, das 9h às 18h, oferecendo uma oportunidade única para o público se conectar com essa parte fundamental da história cultural brasileira.

