O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, marcou presença na noite desta segunda-feira (26) na abertura da exposição "Instante do Olhar", que comemora duas décadas de trajetória do fotógrafo paranaense Jonathan Campos. A mostra intensa e emocionante ocupa a Sala de Vidro do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, e fica aberta ao público de forma gratuita entre 27 de janeiro e 22 de fevereiro, com acesso pelo vão-livre do museu.
Durante o evento, Ratinho Junior relembrou como conheceu o fotógrafo há cinco anos, quando precisava de um profissional para integrar sua equipe. O governador contou que pediu para ver fotos de vários profissionais sem saber quem era o autor de cada uma. "Foi meritocracia. É um dos melhores fotógrafos do Brasil e um ser humano extraordinário", afirmou ele, que foi um dos grandes incentivadores para que Jotinha, como é carinhosamente chamado pelos amigos, expusesse seu trabalho.
O governador se mostrou satisfeito com a concretização do projeto. "Além de ser uma exposição dele, é também uma homenagem aos fotógrafos que temos no Paraná, que são talentosíssimos. Uma profissão tão importante, que registra a nossa história, pessoas e momentos. É um motivo de muita alegria participar disso", declarou. Ratinho Junior ainda destacou o que mais admira no trabalho do fotógrafo: "Ele consegue com a foto de um rosto contar a história da pessoa. É algo fenomenal o que ele faz".
Cercado por familiares, amigos e autoridades, Jonathan Campos não escondeu a felicidade e o nervosismo de estar do outro lado das lentes. "É uma alegria poder mostrar um pouquinho desses 20 anos de profissão. Tem de tudo um pouco: esporte, política, agricultura, paisagens", contou. O fotógrafo admitiu a dificuldade de selecionar apenas uma fração de seu acervo para representá-lo. "É a parte mais difícil, mas, como bom paranaense, coloquei muita imagem que representa o Estado, como a gralha-azul, as lavouras. Além do esporte, a natureza e a agricultura são temas que eu gosto muito".
Das duas décadas de trabalho, Jonathan extraiu uma lição valiosa. "Vi tanta coisa, fiz tantos eventos, conheci lugares e histórias. Isso trouxe paz e humildade. Entender que somos só mais um e que temos que tratar bem as pessoas", refletiu. O fotógrafo também exaltou a importância da fé e da família em sua vida - sua esposa Renata, os filhos Joaquim, Jonathan Jr. e a filha Joana. "Hoje me sinto uma pessoa completa", destacou.
A exposição reúne 50 imagens selecionadas pelo próprio Jonathan Campos, abrangendo fotojornalismo e fotografia documental. Os registros percorrem diferentes contextos, épocas e realidades vivenciadas pelo autor, sempre com o objetivo de informar e documentar a passagem do tempo. São fotografias com forte apelo emocional e visual, resultado da combinação entre técnica apurada e olhar refinado. O fotógrafo reforça que todas as imagens são reais e naturais - nunca precisou "montar" uma foto.
Jonathan busca imortalizar acontecimentos, lugares e pessoas, muitas vezes capturando todos esses elementos juntos. Observar seus retratos é como estar presente na cena, sentir a emoção daquele segundo absorvido pelas lentes. As cores, expressões e enquadramentos funcionam em sintonia como uma máquina do tempo, transportando o observador para o momento em que cada instante foi congelado. A história do Paraná está presente em toda a coleção.
Para a secretária da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, a sensibilidade é a palavra-chave do trabalho de Jotinha. "Ele é um artista. Para o Museu Oscar Niemeyer, é um privilégio poder mostrar esse olhar sensível, social e humano, vindo de alguém que retrata a nossa realidade, mas que transmite a emoção no nosso dia a dia, transmite a emoção da realidade", afirmou. A secretária ainda sugeriu que a mostra é uma excelente opção para o período do Carnaval. "Eu acho que o público tem que vir para ver uma exposição de fotos que retrata uma realidade, mas que pode fechar o olho para enxergar a foto. É pura poesia. O público vai adorar".
Para tornar o projeto realidade, Jonathan contou com o apoio do MON e o patrocínio da Sanepar. "A Sanepar patrocina dezenas de projetos culturais todos os anos, e ele nos procurou com essa ideia de fazer uma exposição que mostrasse um pouquinho do Paraná. Conversamos com o pessoal do MON, da Secretaria da Cultura, e conseguimos viabilizar", explicou a diretora adjunta de Comunicação e Marketing da empresa, Melissa Ferreira. "Foi uma grande honra. O trabalho dele tem uma sensibilidade, um olhar, que é diferenciado", acrescentou, lembrando que estava presente quando algumas das fotos escolhidas para a exposição foram tiradas.
Jonathan Campos iniciou sua trajetória como laboratorista e apoio a pautas jornalísticas em Curitiba, trabalhando nos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. Integrou a equipe fotográfica do Jornal Gazeta do Povo durante quase duas décadas, período em que viajou pelo Brasil e pelo mundo registrando pessoas, acontecimentos e histórias, incluindo grandes eventos mundiais como Copas do Mundo e Olimpíadas.

