Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira a remoção de tarifas sobre importações de alimentos e outros produtos da Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador. A medida faz parte de acordos-quadro que visam ampliar o acesso de empresas norte-americanas a esses mercados latino-americanos.
Segundo uma autoridade de alto escalão do governo Trump, os acordos devem ajudar a reduzir os preços do café, bananas e outros alimentos nos Estados Unidos. "Esperamos que os varejistas norte-americanos repassem os efeitos positivos aos consumidores", afirmou a autoridade em coletiva de imprensa.
Os acordos com a maioria dos quatro países devem ser finalizados nas próximas duas semanas, com possibilidade de novos acordos antes do final do ano. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia adiantado na quarta-feira que anúncios "substanciais" estavam por vir, como parte dos esforços do governo para reduzir o custo de vida da população.
A decisão ocorre em um contexto político delicado para o presidente Donald Trump, após derrotas republicanas em eleições estaduais na semana passada. As vitórias democratas em Nova Jersey, Nova York e Virgínia foram impulsionadas em parte pelas preocupações dos eleitores com o alto custo de vida, problema que economistas atribuem parcialmente às tarifas de importação impostas por Trump.
Os novos acordos mantêm tarifas de 10% sobre a maioria dos produtos de El Salvador, Guatemala e Argentina, e 15% para importações do Equador. No entanto, eliminam as tarifas norte-americanas sobre itens que não são produzidos nos Estados Unidos, como bananas e café equatorianos.
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, comemorou o acordo, afirmando que a estrutura "criaria as condições" para impulsionar investimentos dos EUA no país, e agradeceu ao presidente Javier Milei por sua "convicção" em relação ao entendimento comercial.
Autoridades norte-americanas destacaram que as conversas com outros países da América Central e do Sul têm sido "bastante construtivas", e que as negociações com Suíça e Taiwan também avançam positivamente. O modelo segue acordos similares feitos com países asiáticos em outubro, incluindo compromissos de não tributar serviços digitais de empresas norte-americanas.

