A Estação de Tratamento de Água (ETA) Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, deu um salto tecnológico que vai beneficiar diretamente 60 mil moradores da região. Duas novas unidades móveis de tratamento, adquiridas com investimento de R$ 16,5 milhões, já estão em pleno funcionamento e permitiram dobrar a produção de água tratada – de 110 para 220 litros por segundo.
A obra faz parte do programa "Na Rota da Água", que prevê cerca de 1.100 entregas da Sabesp até 2029. As unidades utilizam tecnologia de ultrafiltragem por membranas, considerada uma das mais modernas do mundo, que permite produzir água potável em processos mais rápidos e eficientes.
"A ampliação da Estação de Tratamento de Embu-Guaçu faz parte de um projeto maior para levar resiliência hídrica para a região de Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Embu das Artes", explicou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. "Entregamos também a primeira etapa da adutora Alça Sudoeste, de 3 km. A segunda parte será entregue ainda neste semestre".
Uma das grandes vantagens dessa tecnologia é a agilidade na implantação e a economia de espaço físico, diferentemente das estações de tratamento tradicionais. Do ponto de vista da qualidade, porém, nada muda: tanto o processo tradicional quanto o de ultrafiltragem passam por rigoroso controle e atendem aos padrões do Ministério da Saúde.
Esta ampliação integra um pacote de investimentos de R$ 966,2 milhões até 2029 na região de Itapecerica, Embu-Guaçu e Embu das Artes – um aumento de 510% no investimento por habitante. "A previsão é de investir mais R$ 797 milhões em obras nos próximos anos, quase cinco vezes mais do que foi investido nos dois primeiros anos após a desestatização", completou Resende.
As ações se inserem no esforço mais amplo do Governo do Estado de São Paulo para ampliar a segurança hídrica e fortalecer a resiliência urbana frente a eventos climáticos extremos. Desde 2023, está em execução o maior pacote de investimentos da história do estado voltado ao combate às enchentes e à infraestrutura hídrica, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
Outra frente importante na região é o Programa Nossa Guarapiranga, que deve entregar nos próximos meses três novas estações de bombeamento de esgoto e cerca de 36 quilômetros de tubulações em Itapecerica da Serra. Com investimento de R$ 59 milhões, o projeto beneficiará 400 mil moradores e contribuirá para melhorar a qualidade das águas do Rio Embu-Mirim e da Represa Guarapiranga.
O programa contempla ainda a implantação de 650 km de redes, 23 novas estações elevatórias, a modernização de outras seis e a conexão de 90 mil imóveis – incluindo 25 mil residências em áreas informais.
Esses investimentos chegam em um momento crucial. A Região Metropolitana de São Paulo enfrenta um dos períodos mais difíceis de estiagem em 10 anos, com índices de chuva entre 40% e 70% abaixo da média e vazões drasticamente reduzidas. Os efeitos das mudanças climáticas já são evidentes: chuvas irregulares, ondas de calor mais frequentes e demanda elevada agravam a escassez hídrica.
O Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após a desestatização, estabelece o investimento de R$ 70 bilhões até 2029 para universalizar a oferta de água e esgoto. Em 2025, o Estado de São Paulo recebeu o maior investimento da história em obras para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado: R$ 15,2 bilhões aplicados pela Sabesp, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior.
Enquanto as unidades móveis de Embu-Guaçu já operam a todo vapor, outras iniciativas complementares mostram o caráter integrado das políticas hídricas. Um projeto de reaproveitamento de plástico de hidrômetros antigos no tratamento de esgoto e medidas como a redução da pressão da água – que economizou 105 bilhões de litros, suficiente para abastecer a capital, Guarulhos, São Bernardo e Mauá por 30 dias – demonstram a multidimensionalidade do desafio.
A combinação de tecnologia de ponta, investimentos maciços e planejamento de longo prazo busca criar uma rede hídrica mais resiliente para enfrentar os desafios climáticos que se intensificam na maior região metropolitana do país.

