O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, revelou nesta semana que o governo do presidente Donald Trump possui um plano estruturado em três etapas para a Venezuela, após a queda do presidente Nicolás Maduro, retirado do poder por uma intervenção militar norte-americana no último sábado, dia 3. A declaração ocorre em meio a um cenário de tensão internacional, com mortes confirmadas em ataques dos EUA chegando a 58 e uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) expondo divisões políticas no continente.
Segundo Rubio, o plano segue uma sequência clara: estabilização, recuperação e transição. Em entrevista coletiva, o secretário explicou que o primeiro passo é garantir a estabilidade do país para evitar um colapso total. "O primeiro passo é a estabilização do país. Nós não queremos que tudo descambe para o caos", afirmou Rubio. Ele detalhou que os Estados Unidos pretendem tomar controle de cerca de 30 a 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, atualmente bloqueados por sanções internacionais, e vendê-los no mercado internacional a preços justos, sem os descontos que eram praticados pelo governo Maduro.
O dinheiro arrecadado com a venda do petróleo, conforme Rubio, será controlado diretamente pelos Estados Unidos. "Nós vamos determinar que esse recurso seja usado para benefício do povo venezuelano e não vá para a corrupção ou para o regime", declarou o secretário. Essa medida visa assegurar que os recursos naturais da Venezuela sejam direcionados para a população, em um contexto onde a crise econômica e humanitária tem assolado o país há anos.
A segunda fase do plano, denominada de recuperação, tem como objetivo garantir que os Estados Unidos, aliados ocidentais e empresas privadas tenham acesso ao mercado venezuelano "de uma maneira que seja justa". Além disso, Rubio mencionou que esta etapa inclui a promoção da "reconciliação nacional" dentro da Venezuela. Isso envolveria a anistia para a oposição a Maduro, a libertação de presos políticos contrários ao chavismo e a reconstrução da sociedade civil, elementos considerados cruciais para restaurar a normalidade e a confiança nas instituições.
A terceira e última etapa é a transição política, onde, segundo Rubio, a transformação do país dependerá finalmente do povo venezuelano. "No fim [deste processo de transição] a transformação do país vai depender do povo venezuelano", afirmou o secretário, sugerindo que os EUA atuam como facilitadores, mas que a soberania e as decisões futuras caberão aos venezuelanos. Essa fase busca estabelecer um governo democrático e estável, após anos de conflito e instabilidade sob o regime de Maduro.
Enquanto isso, notícias relacionadas continuam a surgir, como a apreensão de dois navios que transportariam petróleo da Venezuela pelos EUA, indicando uma ação coordenada para controlar os recursos energéticos do país. A situação tem gerado reações mistas na comunidade internacional, com a reunião da OEA destacando as divisões políticas entre nações que apoiam a intervenção e aquelas que a criticam, refletindo a complexidade geopolítica envolvida.
O plano de três etapas apresentado por Rubio representa uma estratégia abrangente dos Estados Unidos para lidar com a crise venezuelana, combinando controle econômico, recuperação institucional e transição política. No entanto, sua implementação enfrenta desafios significativos, incluindo a resistência interna, as repercussões internacionais e a necessidade de reconstruir um país devastado por anos de conflito e sanções. O desfecho dessa intervenção e seu impacto no futuro da Venezuela e da região ainda são incertos, mas as declarações de Rubio deixam claro que os EUA pretendem ter um papel central na moldagem do cenário pós-Maduro.

