Neste domingo (22 de março), o Dia Mundial da Água traz à tona discussões urgentes sobre acesso e qualidade dos recursos hídricos. Enquanto relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) alertam para a crescente pressão sobre as fontes de água doce, escolas da rede estadual do Paraná mostram que a educação pode ser uma ferramenta poderosa para transformar essa realidade. Projetos de investigação científica estão levando alunos para além das salas de aula, transformando o entorno das unidades em laboratórios vivos de aprendizagem sobre os desafios da água e das mudanças climáticas.

"Essas iniciativas representam um passo importante para a construção de uma educação que vai além das salas de aula, conectando o aprendizado à realidade dos estudantes", afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. "Ao incentivar a investigação científica e o olhar atento para os recursos hídricos, estamos contribuindo para formar uma geração mais consciente e preparada para enfrentar os desafios ambientais do futuro".

No Colégio Estadual Leôncio Correia, em Curitiba, alunos desenvolvem o projeto "Cultivando Saberes: educação socioambiental para escolas sustentáveis", inspirado na metodologia "Bacia Escola" do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A iniciativa parte da análise da bacia hidrográfica no entorno da escola para aproximar os estudantes da realidade ambiental, conforme explica o coordenador Gabriel Portugal Sorrentino.

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"Os alunos realizam saídas de campo em dois percursos diferentes, acompanhando cursos d'água próximos. Durante essas caminhadas, observam características do ambiente, registram possíveis riscos e vulnerabilidades e avaliam aspectos como odor, aparência e condições da água", detalha o professor.

Um dos trajetos acompanha um córrego que nasce ao lado da escola e segue até o Bosque de Portugal, enquanto outro percurso segue até a confluência com um rio na região do Parque Bacacheri. Para o estudante Gustavo Aguiar da Silva, de 15 anos, a experiência foi transformadora: "A participação no projeto ampliou minha visão sobre a importância da água. Aprendemos, na prática, sobre captação da água da chuva, preservação dos lençóis freáticos e o ciclo da água. Hoje entendo que atitudes simples fazem diferença e que todos temos responsabilidade na preservação dos recursos hídricos".

Em Rolândia, no Norte do estado, o Colégio Estadual Cívico-Militar (CCM) Presidente Kennedy conduz uma pesquisa sobre o Lago San Fernando, envolvendo estudo da água, flora e fauna. Coordenado pela professora Egláia Cheron, o projeto coloca os alunos no centro da investigação, desde a definição das perguntas até a análise dos resultados.

"O trabalho é conduzido pelos próprios alunos, o que fortalece a autonomia e o pensamento científico. Além disso, os dados ajudam a mudar a percepção da comunidade sobre o Lago San Fernando, mostrando que a área passa por um processo de recuperação", destaca Egláia.

A estudante Samara Reis Cabecione, de 16 anos, relata como a experiência mudou sua perspectiva: "Participar do projeto de campo foi importante para a minha formação e mudou a forma como eu vejo a água. Hoje tenho mais consciência de que a água é essencial para a vida e que pequenas mudanças na sua qualidade impactam todo o ambiente".

Na Região Metropolitana de Curitiba, alunos do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, desenvolvem um projeto de monitoramento hidrológico do Rio Avariu. Durante as atividades, os estudantes fazem coletas sistemáticas de amostras, analisam parâmetros físico-químicos e registram indicadores biológicos para compreender o nível de degradação do rio.

"O Rio Avariu faz parte da rotina da comunidade escolar. Muitos alunos comentavam sobre o cheiro forte vindo do córrego, especialmente em dias quentes. Percebemos que esse incômodo poderia se transformar em uma oportunidade de investigação científica", explica a professora Pauline Henrique Fernandes.

Parte desses projetos é desenvolvida por alunos que integram os Clubes de Ciências, iniciativa do programa Paraná Faz Ciência, conduzida pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) em parceria com a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Fundação Araucária. Enquanto o Dia Mundial da Água - instituído pela ONU em 1992 - destaca que mais de 2,2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável segura segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), essas iniciativas educacionais mostram que a mudança pode começar nas escolas, formando cidadãos mais conscientes e preparados para os desafios ambientais do século XXI.