O primeiro Campeonato Mundial de Clubes de Futsal para Surdos começa neste sábado (21), em Buenos Aires, na Argentina, e o Paraná terá representação de peso na competição feminina. A equipe da Associação dos Surdos de São José dos Pinhais (ASSJP), conhecida como "azurela" por suas cores azul e amarelo, embarca para a capital argentina com a ambição de conquistar o título mundial, que será decidido no dia 28 de fevereiro.

As jogadoras chegam ao torneio com o respaldo de serem a base da seleção brasileira e contam com um apoio histórico: o patrocínio da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que estampa o uniforme do time pela primeira vez em 21 anos de existência. "Viemos com o objetivo de sermos campeãs mundiais. Estamos com boas expectativas e confiantes em chegar à fase final. Queremos representar bem nossa cidade, o Paraná e o Brasil, pois somos o único time feminino do país na competição", afirma a pivô Josiane Maria Poleski, de 39 anos, em entrevista por escrita.

O time paranaense acumula uma trajetória vitoriosa no cenário nacional, sendo heptacampeã da Copa Brasil para Surdos e contando com três jogadoras campeãs mundiais pela seleção brasileira em 2019, além de quatro atletas na formação atual da equipe nacional. No entanto, nenhuma das atletas atua profissionalmente no futsal. Com idades entre 24 e 42 anos, elas conciliam treinos e competições com carreiras, estudos e a vida pessoal, incluindo a maternidade para algumas.

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"O patrocínio da Sanepar para a equipe Azurela tem uma importância histórica e estratégica para a associação, marcando um divisor de águas para o time feminino e abrindo caminhos para novas parcerias no futuro", destaca Josiane. Ela explica que o apoio é fundamental para cobrir os custos da equipe, que para competir no mundial buscou alternativas complementares como rifas e doações, que "ajudam, mas de forma limitada".

Para a Sanepar, o apoio vai além do aspecto esportivo. "Patrocinar a ASSJP é um orgulho para a Sanepar. Esse time não é apenas uma equipe esportiva, mas um exemplo de como promover a inclusão e a equidade", afirma a diretora adjunta de Comunicação e Marketing da empresa, Melissa Ferreira.

O campeonato é organizado pela Federação Internacional de Futebol de Surdos (Difa) e conta com 17 equipes no total: 12 no masculino e 5 no feminino. As brasileiras estreiam contra a Associação de Surdos Mudos de La Plata, da Argentina. Na primeira fase, os cinco clubes femininos se enfrentam no sistema "todos contra todos", com as paranaenses jogando também contra um clube do Chile e outros dois da Argentina. O último colocado é eliminado nesta etapa, com as semifinais marcadas para o dia 26 e a final para o dia 28.

No masculino, o Brasil também estará representado por dois clubes: um de Cuiabá (MT) e outro de Uberlândia (MG). Para as "azurelas" paranaenses, a competição em Buenos Aires representa não apenas a chance de um título mundial, mas a consolidação de um trabalho que une esporte, superação e inclusão, carregando nas costas as esperanças de uma comunidade que busca cada vez mais visibilidade e reconhecimento.