Um grupo de entregadores por aplicativo realizou um protesto nesta sexta-feira (28) na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro, contra a nova modalidade de trabalho chamada +Entregas, implementada pelo iFood. Os manifestantes pedem que a empresa reveja o sistema, que prevê o agendamento de horários de trabalho em regiões específicas da cidade, alegando que a medida engessa a jornada, causa desordem no mapa de entregas, provoca conflitos entre trabalhadores e reduz o valor das corridas.
Alexandre Moizinho, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, destacou que uma das reivindicações históricas é o aumento da taxa mínima paga pelo iFood de sete para dez reais. "Tudo aumentou: gasolina, manutenção das bicicletas e motos. E o lucro do iFood só aumenta a cada ano. Nessa nova modalidade, as taxas podem cair para R$ 3,30", afirmou. Ele complementou que o agendamento de horários tira a autonomia do entregador, obrigando-o a permanecer em um território específico aguardando corridas.
De acordo com o iFood, no sistema +Entregas, o profissional agenda um período de três horas em uma área determinada, recebendo um valor fixo por hora disponível e um adicional por entrega concluída. A plataforma argumenta que isso aumenta as chances de receber pedidos, otimiza rotas e oferece mais controle sobre a jornada, com ganhos acima da média e prioridade em relação a quem não participa do programa. No entanto, os manifestantes contestam essas vantagens, apontando que a modalidade limita a flexibilidade e pode levar à diminuição dos rendimentos.
Além do +Entregas, os entregadores criticaram outros modelos de trabalho adotados pela empresa, como o de operador logístico (OL), usado anteriormente, e a migração para o modelo de franquia de serviço logístico. No OL, os trabalhadores estavam subordinados a terceirizadas que controlavam pagamentos e rotinas, enquanto no trabalho independente, chamado de "nuvem", o profissional define horários e regiões por conta própria. Alexandre Moizinho relatou que havia coação para ingressar em operadoras logísticas, com restrições no aplicativo para quem optava pela independência, o que isentava o iFood de responsabilidades trabalhistas.
Em resposta, o iFood informou que não opera mais com o modelo de OL e agora utiliza o EntreGô, uma franqueadora de serviços logísticos do próprio grupo, visando entregas seguras e gestão padronizada. A empresa afirma que o modelo surgiu de demanda dos entregadores, exigindo a abertura de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e vínculo como Microempreendedor Individual (MEI). Entregadores como Bruno de Souza, de 37 anos, que atua há mais de quatro anos, criticam a precarização, citando a falta de benefícios e assistência, como dificuldades de acesso ao INSS em casos de problemas de saúde.
Em nota, o iFood reiterou o respeito ao direito de manifestação pacífica e à livre expressão, defendendo o +Entregas como uma opção para que os profissionais deixem de receber apenas por pedido e possam ganhar por período trabalhado, com rotas mais curtas. A empresa destacou que a implementação é gradual e opcional, com monitoramento contínuo para garantir competitividade e vantagens para todos, além de estar aberta a dúvidas e sugestões.

