A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) se uniu às principais entidades representativas do setor produtivo do Paraná em um apelo urgente ao governo federal. Em carta conjunta endereçada aos ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), as instituições solicitam medidas de auxílio emergencial para o setor agropecuário paranaense, que enfrenta uma crise profunda decorrente de eventos climáticos adversos.

O documento foi assinado pela Seab em conjunto com o Sistema Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Sistema Ocepar, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) e União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes-PR). As entidades expõem a situação crítica vivida por milhares de produtores rurais que acumulam prejuízos históricos e enfrentam dificuldades financeiras para honrar compromissos de custeio e investimento.

De acordo com a carta, desde 2017 o Paraná enfrenta quebras de safra recorrentes, com destaque para a safra 2021/22, quando a produção de soja – principal cultura do estado – foi reduzida em 40%, com perdas regionais que chegaram a impressionantes 82%. Em 2025, novas tempestades, ventos fortes e granizo atingiram pelo menos cinco regiões do estado, destruindo lavouras, aviários e estruturas de armazenagem, agravando ainda mais a situação dos produtores.

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O documento também destaca a grave crise enfrentada pela cadeia produtiva do leite, que sustenta milhares de agricultores familiares no Paraná. O setor vem sendo impactado por uma combinação perversa de fatores: queda no preço pago ao produtor, aumento dos custos de produção, concorrência com produtos importados e ausência de políticas públicas estruturantes que possam garantir a sustentabilidade da atividade.

Marcelo Garrido, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, ressalta que a carta reconhece o avanço representado pela Lei estadual nº 22.765/2025, sancionada recentemente pelo governador Ratinho Junior, que proíbe a reconstituição de leite em pó e derivados importados para consumo no Paraná. No entanto, as entidades reforçam a necessidade de novas ações que restabeleçam a capacidade de pagamento dos produtores e promovam o reequilíbrio financeiro das propriedades rurais.

As entidades solicitam especificamente que o governo federal restaure o propósito original da Medida Provisória nº 1.314/2025, que previa o uso de recursos para liquidação ou amortização de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos. Segundo o documento, a Resolução CMN nº 5.247/2025 acabou restringindo significativamente o alcance da medida ao impor critérios que excluíram grande parte dos produtores paranaenses.

Entre os critérios considerados excludentes estão a exigência de decretos de emergência municipais e a determinação de perdas mínimas de 20% em dois dos três principais cultivos locais. Essas exigências, segundo as entidades, não refletem a realidade complexa dos danos causados pelos eventos climáticos, deixando milhares de produtores sem o amparo necessário em um momento de extrema vulnerabilidade.

O apelo conjunto representa um grito de socorro de um setor que é fundamental para a economia paranaense e brasileira, buscando não apenas o alívio imediato para os produtores em dificuldade, mas também a construção de políticas mais eficazes de proteção contra os riscos climáticos que se tornaram cada vez mais frequentes e intensos no estado.