Em uma cerimônia marcada por simbolismo e transição política, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere tomou posse como novo prefeito da cidade do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (20), no Palácio da Cidade, sede do poder municipal. A transmissão do cargo ocorreu após a renúncia do ex-prefeito Eduardo Paes, que deixou o posto para concorrer ao governo do estado do Rio nas eleições de 3 de outubro.
Em seu discurso de posse, Cavaliere definiu o Rio como uma "causa política" e expressou seu compromisso com a cidade. "O Rio é um caso de amor, é a realização do sonho de que a grandeza do Brasil é possível. Nós somos um grupo de pessoas que tem, por princípio e finalidade única, servir ao Rio. Especialmente aqueles que precisam mais", afirmou o novo prefeito, destacando sua visão de gestão pública.
Cavaliere enfatizou os anos de aprendizado na administração pública, a valorização contínua dos servidores municipais e o compromisso com a superação de obstáculos para transformar a cidade. Sua fala refletiu um tom de continuidade administrativa, mas também de novos desafios frente às complexidades da gestão da segunda maior metrópole do país.
A cerimônia de transmissão do cargo foi repleta de momentos significativos, incluindo um ato ecumênico que buscou representar a diversidade religiosa da cidade. A cultura carioca esteve presente com a participação da Banda da Guarda Municipal, da Orquestra da Maré - projeto social da comunidade da Maré - e dos cantores Dudu Nobre e Marquinhos de Oswaldo Cruz, figuras tradicionais do samba carioca.
Ao se despedir do cargo após quatro mandatos (dois consecutivos de 2009 a 2016 e o atual, iniciado em 2021), Eduardo Paes fez um discurso de agradecimento e balanço de sua gestão. "Tenho a convicção de que após meus quatro mandatos, o Rio é uma cidade melhor, mais desenvolvida, menos desigual, com economia pujante e serviços públicos de qualidade", declarou o ex-prefeito, que agora mira o Palácio Guanabara, sede do governo estadual.
A transição ocorre em um contexto político estadual movimentado, com notícias relacionadas que incluem a fiscalização da ANP em distribuidoras de combustível no Rio de Janeiro, a formação de um grupo no TRE-RJ para impedir influência do crime organizado nas eleições, e a decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu regras da Alerj para a eleição indireta para governo do Rio.
Cavaliere assume a prefeitura em um momento desafiador, herdando uma cidade que ainda enfrenta questões estruturais como mobilidade urbana, segurança pública e desigualdades sociais, mas também com a experiência de quem já atuava na gestão municipal como vice-prefeito. Seu mandato se estenderá até o final do atual termo, em 31 de dezembro de 2024, quando novas eleições municipais serão realizadas.

