A cantora Ebony abre a edição de luxo de seu álbum 'KM2 (De Luxo)' com versos que já anunciam o tom do projeto: 'Eu tenho sangue ruim, eu resolvo sozinha. Tenho a cor do pecado, do pé na cozinha'. A faixa 'Sangue Ruim', escolhida como abertura, estabelece desde o início as questões raciais que permeiam todo o trabalho da artista, agora ainda mais explícitas nesta versão completa lançada após o álbum original de maio do ano passado.

As rimas da música não têm medo de tocar em feridas profundas, como evidenciado no verso: 'Eu sou Deus. Mas, se eu morro, ninguém sente minha falta'. Segundo Ebony, essa abertura simboliza um novo momento em sua carreira, marcado por mais segurança na forma como enxerga sua arte e coragem para expor até o que lhe é mais íntimo.

A artista revela que sempre escreveu poesias, haikais, tragédias e roteiros, mas sentia vergonha de mostrá-los. 'Esse poema foi a primeira coisa que senti coragem o suficiente', confessa. O impulso para essa exposição veio do contexto atual, com casos de feminicídio, especialmente contra mulheres negras, atingindo números alarmantes. Para Ebony, suas palavras se tornaram uma estratégia de guerra.

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A reflexão sobre mulheridade, identidade negra e resistência silenciosa aparece como tema central. 'Pensar sobre a mulheridade, sobre ser negra, sobre movimentar o mundo silenciosamente nas costas quando todo mundo pensa o pior de você é incrível! Porque eu sei que isso é combustível para todas nós', afirma a cantora, destacando como sua arte busca transformar dor em força coletiva.