Uma inovação tecnológica está transformando uma das tarefas mais arriscadas e complexas na manutenção de usinas hidrelétricas no Paraná. A Copel, companhia paranaense de energia, passou a utilizar um drone especializado para inspeções no interior dos condutos forçados da Usina Governador Ney Braga, conhecida como Segredo. Esses gigantescos tubos de aço, com 141 metros de comprimento e 7,5 metros de diâmetro, são os responsáveis por conduzir a água da represa até as turbinas que geram eletricidade.

Até pouco tempo atrás, verificar o estado dessas estruturas era um procedimento que colocava vidas em perigo. Equipes especializadas precisavam descer por cordas os 141 metros de profundidade em um ambiente escuro, frio, úmido e com forte corrente de ar. A atividade exigia dias de preparação, paralisação prolongada das unidades geradoras e representava um risco constante de queda em altura. "Era um trabalho que demandava muito cuidado, tempo e expunha nossos profissionais a condições adversas", contextualiza a necessidade de mudança.

A solução veio de uma busca interna da própria equipe da usina por alternativas mais seguras e eficientes. O desafio era grande: drones convencionais do mercado não resistiam à umidade, não tinham iluminação adequada e não conseguiam navegar com precisão em um espaço tão confinado e desafiador. A resposta foi encontrada no drone Elios 3, uma tecnologia de origem suíça desenvolvida especificamente para inspeções em locais de difícil acesso.

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O equipamento é uma verdadeira ferramenta de precisão. Ele conta com iluminação LED potente, câmeras de alta resolução e, principalmente, um sensor LiDAR. Este sensor emite feixes de laser que criam modelos tridimensionais detalhados do interior do conduto. Com isso, os técnicos podem identificar deformações, desgastes, trincas ou qualquer outra anomalia com uma precisão milimétrica, algo impossível de se alcançar com o método tradicional de inspeção visual humana. O drone ainda possui recursos de inteligência artificial que auxiliam na análise das imagens capturadas.

Os benefícios da mudança são concretos e significativos. Em primeiro lugar, há um ganho imensurável em segurança operacional: os trabalhadores deixam de ser expostos ao risco físico direto. Em segundo, a eficiência salta aos olhos. A inspeção, que antes era lenta e complexa, agora é realizada de forma muito mais rápida. Isso reduz o tempo de paralisação das unidades geradoras, evitando uma perda financeira potencial de cerca de R$ 600 mil por ciclo de vistoria. No balanço final, a Copel estima que o novo método tenha um custo cerca de 30% menor em comparação ao procedimento antigo.

O uso do drone foi testado e aprovado em setembro de 2025, marcando um novo capítulo na rotina de manutenção da usina. A Usina Segredo, localizada em Mangueirinha, a 285 km de Curitiba, é a segunda maior da Copel, com potência instalada de 1.260 megawatts – energia suficiente para abastecer uma cidade de até 4 milhões de habitantes. A iniciativa se alinha a um movimento maior da empresa em aplicar inovações tecnológicas para aumentar a segurança, a confiabilidade e a eficiência de suas operações, modernizando práticas que, embora funcionais, carregavam um alto custo humano e operacional.

A adoção do drone Elios 3 na Usina Segredo é mais do que uma simples substituição de ferramenta; é um exemplo de como a tecnologia, quando aplicada com propósito, pode resolver problemas antigos, proteger vidas e gerar economia, mantendo a infraestrutura crítica do país em perfeito estado de conservação.