O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na tarde desta quinta-feira (26) e, na prática, assume o cargo de governador do estado até o fim do ano. A votação, que atendeu a uma ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contou com 45 votos a favor dos 47 deputados presentes. A oposição boicotou o pleito, e 22 parlamentares não compareceram à sessão.
A eleição de Ruas, de 37 anos, é o capítulo mais recente de uma sucessão de eventos que deixou o Poder Executivo fluminense em uma situação atípica. Desde maio de 2025, o estado não contava com um vice-governador, após a renúncia de Thiago Pampolha para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Com a manobra, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), passou a ser o primeiro na linha sucessória.
No entanto, em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi preso pela Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investiga a ligação de políticos com o Comando Vermelho (CV). Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi afastado da presidência da Casa, mesmo após ser libertado. A Alerj passou então a ser presidida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que, por causa da interinidade, não ocupava lugar na linha sucessória.
Na segunda-feira (23), o então governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo, manifestando interesse em disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. A manobra também era vista como uma tentativa de escapar de uma eventual inelegibilidade, já que ele enfrentava um julgamento no TSE por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição em 2022.
O julgamento terminou de forma desfavorável para Castro. O TSE o considerou governador cassado e o tornou inelegível até 2030. A decisão também cassou e tornou inelegível o deputado Rodrigo Bacellar, ex-secretário de governo de Castro. Na mesma sentença, a Justiça Eleitoral determinou que a Alerj realizasse eleições indiretas para o governo do estado.
Desde a renúncia de Castro, o comando do Executivo fluminense estava sendo exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Ricardo Couto de Castro. Com a eleição de Douglas Ruas para a presidência da Alerj, a linha sucessória é regularizada, e ele assume o Palácio Guanabara.
A oposição boicota e anuncia ação na Justiça
A oposição ao grupo político de Castro, Bacellar, Delaroli e Ruas decidiu boicotar a votação e anunciou que vai ajuizar uma ação na Justiça contra o resultado. A deputada Renata Souza (PSOL) argumenta que a Mesa Diretora da Alerj não respeitou o prazo mínimo para convocação da eleição. “É uma Assembleia Legislativa que se demonstra inimiga do povo do Rio de Janeiro, justamente porque não seguiu o mínimo de rito para uma ação como essa”, disse à Agência Brasil.
“Quando o presidente interino colocou a votação, disse que ocorreria em uma antecedência de 2 horas, uma coisa escandalosa, não deu para preparar a chapa”, reclamou a parlamentar. “Acredito que eles fizeram dessa maneira atabalhoada porque vinha crescendo um apoio de uma chapa de oposição”, avaliou.
Perfil do novo governador
Nascido em 17 de janeiro de 1989, Douglas Ruas dos Santos é natural de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Seu pai, Capitão Nelson, é o prefeito da cidade. Para a eleição de 2022, Ruas se identificou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) como branco, policial civil, bacharel em direito e pós-graduado em gestão pública.
O deputado declarou patrimônio de R$ 1,266 milhão, entre investimentos, terreno, imóvel e dinheiro em espécie. Ele foi eleito como o segundo candidato a deputado estadual mais bem votado, com quase 176 mil votos. No currículo, Ruas já atuou como subsecretário de Trabalho de São Gonçalo, de 2017 a 2018, e superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), de 2019 a 2020. Em 2021, ocupou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo.
Agora, aos 37 anos, Douglas Ruas assume o comando do estado do Rio de Janeiro em um contexto de instabilidade política, com a missão de governar até a posse do próximo governador eleito, que ocorrerá após as eleições de outubro. Seu mandato à frente da Alerj e, consequentemente, do Executivo estadual, será marcado pelo desafio de administrar um estado que passa por uma crise na sucessão de seu principal cargo.

