O sinal de que o projeto Dominguinho havia cruzado fronteiras não veio de gráficos de streaming, mas de uma validação improvável: Supla. "O Supla falou que já tinha tocado aqui, que o festival era irado... e que tinha um cara muito punk que queria me ver, que era fã do nosso trabalho", conta João Gomes, ainda incrédulo. É o tipo de encontro entre mundos que só o SXSW em Austin proporciona.

Pouco depois, no palco da SP House, a convite da Billboard Brasil, o trio formado por João Gomes, Jota.pê e Mestrinho confirmou na prática o alcance da música. O show foi disputadíssimo para uma plateia eclética: de brasileiros que cantavam "Lembrei de Nós" e "Arriadin Por Tu" na ponta da língua, a estrangeiros encantados com o forró brasileiro.

Para Jota.pê, três vezes vencedor do Grammy Latino, a dimensão do festival norte-americano ainda causa surpresa. "Caraca!", reage ao saber que Mestrinho já havia passado pelo SXSW mais de uma década atrás, quando o festival era muito diferente. Hoje, com uma presença brasileira mais robusta em Austin, o contexto mudou - e o tamanho do projeto Dominguinho também.

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O grupo, que nasceu como um encontro entre amigos, virou outra coisa. "A gente lançou na sexta, passou o fim de semana e a galera continuava ouvindo. Segunda, terça, quarta... aí eu falei: 'meu Deus, o que está acontecendo?'", lembra João Gomes. Ninguém ali parece ter percebido exatamente quando a virada aconteceu, mas o sucesso no SXSW mostrou que o Dominguinho conquistou seu espaço entre mundos musicais distintos.