Em um dia marcado pelo nervosismo nos mercados financeiros, o dólar disparou e a bolsa brasileira caiu nesta sexta-feira (13), refletindo a escalada das tensões no Oriente Médio. A moeda norte-americana fechou a R$ 5,316, com alta de 1,41%, atingindo seu maior valor desde 21 de janeiro. Enquanto isso, o Ibovespa recuou 0,91%, fechando aos 177.653 pontos, o nível mais baixo em quase dois meses.
O movimento foi impulsionado por uma forte aversão ao risco global, com investidores buscando ativos considerados mais seguros, como o dólar, diante do agravamento do conflito envolvendo o Irã e Israel. Notícias sobre ataques e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo intensificar ações militares contra o Irã, ampliaram as preocupações com um conflito mais duradouro e seus impactos nos preços da energia.
Na semana, o dólar acumulou valorização de 1,38%. Em março, a moça já sobe 3,55%, revertendo parte da queda de 2,16% registrada em fevereiro. No acumulado de 2026, porém, o dólar ainda apresenta desvalorização de cerca de 3,15% frente ao real, após ter recuado mais de 6% nos primeiros meses do ano. No mercado cambial brasileiro, o real teve o pior desempenho entre as principais moedas emergentes, com saída relevante de recursos e compra de dólares por investidores aproveitando a cotação mais barata.
Pela manhã, o Banco Central realizou uma intervenção para conter a volatilidade, com uma operação conhecida como “casadão”. A autoridade monetária vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e ofertou 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra de dólar futuro. A medida ocorreu em meio a sinais de menor liquidez e pressão no cupom cambial, que reflete a taxa de juros em dólar no país.
No exterior, o fortalecimento do dólar também foi evidenciado pelo avanço do Dollar Index (DXY), indicador que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de moedas fortes. O índice superou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025, fechando próximo de 100,5 pontos, com alta superior a 1,6% na semana. Analistas apontam que, além da busca por proteção, o movimento reflete mudanças nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos, com a alta do petróleo e incertezas inflacionárias reduzindo apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.
No mercado de ações, o Ibovespa acumulou recuo de 0,95% na semana, após uma queda mais acentuada de 4,99% na semana anterior. Mesmo com o desempenho recente negativo, o índice ainda registra valorização de 10,26% no acumulado de 2026. Em março, no entanto, a baixa já chega a 5,9%. A tensão geopolítica também impulsionou o preço do petróleo, com o contrato do Brent para maio avançando 2,67% e fechando a US$ 103,14 por barril, acumulando ganho semanal de cerca de 11% e alta de mais de 40% em março.
As incertezas persistem, especialmente às vésperas do fim de semana, quando os mercados ficam fechados, mantendo os investidores em alerta máximo.

