A Associação Paranaense de Teatro de Bonecos (APRTB) lança nesta terça-feira (18) o documentário "Festival Espetacular de Teatro de Bonecos", um mergulho na trajetória do evento que se tornou referência na arte milenar do teatro de bonecos no Paraná. A exibição gratuita acontece às 15h na Cinemateca de Curitiba, integrando as celebrações dos 40 anos da associação, e promete emocionar o público com memórias e depoimentos que resgatam a essência dessa tradição cultural.
Criado em 1991, o Festival Espetacular de Teatro de Bonecos consolidou-se como um marco no cenário artístico paranaense, abrangendo diversas vertentes como Teatro de Marionetes, Formas Animadas, Fantoches, Teatro de Sombras e outras expressões animadas. Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, destaca a relevância do evento: "Este evento é uma celebração da arte milenar do teatro de bonecos e destaca-se não só pela diversidade de linguagens, mas também pela importância de manter viva essa arte". Suas palavras reforçam o papel do festival em fomentar a criatividade e a preservação de saberes ancestrais.
Para Inecê Gomes, presidente da APRTB e curadora do festival, o documentário representa um esforço crucial de resgate histórico. "Gerações de artistas, entusiastas e público que acompanharam este festival por anos se fazem a pergunta: como ele se manteve com tamanha relevância? Com o tempo, muitas informações foram se perdendo", afirma. Ela acrescenta que o festival serviu como uma espécie de escola para muitos profissionais: "O festival influenciou muitos outros festivais e companhias. Ele também faz parte da nossa formação como artistas. É como uma faculdade, pois cada espetáculo traz ensinamentos, técnicas e ideias, movimentando toda a cena do teatro de bonecos".
A produção do documentário inclui entrevistas com figuras emblemáticas como Manoel Kobachuk (in memoriam) e a atriz bonequeira Olga Romero, além de destacar o legado de Magda Modesto (in memoriam), curadora e pesquisadora do Rio de Janeiro que foi instrumental na vinda de companhias internacionais ao festival, especialmente entre as décadas de 1990 e 2000. Essas vozes ajudam a tecer uma narrativa rica sobre a evolução e a diversidade do teatro de bonecos no estado.
A pesquisa documental foi conduzida por Letícia Nardi, arquiteta e urbanista especializada em preservação do patrimônio cultural, que se debruçou sobre o acervo do Centro Cultural Teatro Guaíra, armazenado no Arquivo Público do Paraná. "O material estava todo sistematizado e a dimensão do material foi uma verdadeira revelação para nós. Identificamos conteúdos de pelo menos 15 edições com muitos materiais e muito bem documentados", relata Nardi. Ela enfatiza que a análise não só revelou a extensão dos registros, mas também evidenciou uma característica singular: no Paraná, o teatro de bonecos é uma tradição familiar, onde conhecimentos são passados de geração em geração, fortalecendo laços comunitários e artísticos.
Segundo Inecê Gomes, este lançamento é apenas o início de um trabalho mais amplo de preservação. "Optamos por concentrar este primeiro momento neste material do Teatro Guaíra. Portanto, ainda existe um rico material a ser pesquisado na continuidade desta pesquisa", explica, sinalizando que futuras etapas podem explorar outros acervos e histórias, ampliando o legado documental.
Para quem não puder comparecer ao evento presencial na Cinemateca de Curitiba, localizada na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174, no bairro São Francisco, Centro, o documentário terá uma estreia digital no canal do YouTube da APRTB no dia 20 de novembro, às 19h, permanecendo disponível gratuitamente. Essa iniciativa democratiza o acesso à cultura, permitindo que pessoas de todo o Brasil possam reviver ou descobrir a magia do Festival Espetacular de Teatro de Bonecos.
O lançamento é classificado como livre, incentivando a participação de todas as idades, e reforça o compromisso da APRTB em valorizar e difundir uma das formas de arte mais antigas e encantadoras do mundo. Em um contexto onde tradições culturais podem se perder com o tempo, iniciativas como essa são vitais para manter viva a chama da criatividade e da memória coletiva.

