Nos anos 1990, a hegemonia da axé music no Brasil era tão forte que gerou reações em Pernambuco. Um grupo de músicos e agitadores culturais recifenses se queixava da falta de espaço para artistas locais, que perdiam visibilidade para os popstars baianos. A tensão chegou a tal ponto que foi criado um festival anti-axé no Soparia, lendário ponto de encontro do manguebit, e um vereador de Olinda sugeriu a proibição de música baiana nos festejos.

Essa rivalidade ressurgiu em 2010, quando o tradicional "Jornal do Commercio" criticou o excesso de axé no Carnaval pernambucano. No entanto, nos últimos tempos, a convivência tem sido pacífica. Como disse Moraes Moreira (1947-2020) na canção "Vassourinha Elétrica": "É o frevo, é o trio, é o povo/ Sempre juntos fazendo o mais novo/ Carnaval do Brasil".

Recentemente, no sábado (14) e na madrugada de domingo (15) no Marco Zero, em Recife, performances musicais celebraram essa troca. Artistas como BaianaSystem destacaram a influência de Chico Science (1966-1997) em sua sonoridade, enquanto o cantor capixaba Silva entrou com a camiseta do Bloco da Pitombeira, popularizado pelo baiano Wagner Moura. Esses gestos simbolizam uma harmonia que supera antigas divisões.

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