Há pouco mais de um ano, Júlia Mendes Rodrigues, de 60 anos, vivia uma rotina de luta diária na Favela do Moinho, no centro de São Paulo. Ela tocava um pequeno bar no local, enfrentando as dificuldades típicas de quem vive em uma comunidade: "Era correria, eu tinha um barzinho, abastecia o bar, vendia fiado, às vezes tinha prejuízo, né? Porque o pessoal ia embora, não pagava", relembra. Em maio do ano passado, sua vida começou a mudar radicalmente com a chegada dos agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).
Dona Júlia foi uma das primeiras a aderir ao programa de reassentamento proposto pelo governo estadual, que tem como objetivo dar moradia digna aos moradores e acabar com a última comunidade na região central da capital paulista. Desde que foi iniciado, o projeto já realocou mais de 800 famílias, faltando menos de 40 para completar a desocupação total da favela. O terreno do Moinho, após a retirada de todos os moradores, será transformado em um parque vertical público e em uma estação de trem.
Para Dona Júlia, o programa trouxe muito mais do que uma casa escriturada. "Uma pessoa que não tem dignidade não é ninguém. E hoje eu me considero como uma pessoa digna, sou respeitada", afirma emocionada. Ela conta que inicialmente recebeu o auxílio-aluguel de R$ 1,2 mil pago pelo Governo de SP e mudou-se para um quarto e cozinha, enquanto aguardava sua casa definitiva. "Eu preferi casa, porque eu não tenho como pagar condomínio. Pelo menos a casa, água, luz e IPTU, você sabe que tem que pagar", explica com a sabedoria de quem conhece o valor de cada centavo.
A emoção maior veio quando recebeu a notícia de que sua moradia estava pronta e que ela seria a primeira moradora daquele imóvel, que saiu já com seu nome na documentação. "Quando eu vou dormir, tô em paz, tranquila, sossegada, sem barulho, sem bagunça, não tem bagunça aqui", descreve sobre sua nova rotina. A sensação de segurança e pertencimento é palpável em suas palavras.
Segundo Dona Júlia, a entrada da CDHU em sua vida foi transformadora. "Primeiro foi Deus, depois a CDHU, que me deu importância de pessoa decente. Estou muito feliz", finaliza. Sua história reflete a de centenas de outras famílias que encontraram no programa não apenas um teto, mas dignidade e cidadania.
A CDHU, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo, é o maior agente promotor de moradia popular no Brasil. A companhia executa programas habitacionais em todo o território paulista voltados exclusivamente para a população de baixa renda, atendendo famílias com renda na faixa de 1 a 10 salários mínimos. O caso da Favela do Moinho mostra como políticas públicas bem estruturadas podem mudar realidades e escrever novos capítulos na vida de milhares de brasileiros.

