Instituído em 1949 durante uma Assembleia Religiosa Nacional dos Bahá'ís, religião monoteísta originária da Pérsia, o dia 21 de janeiro foi estabelecido como o Dia Mundial da Religião. Mais do que uma data no calendário, este dia simboliza um compromisso global com a construção de uma sociedade mais justa e pacífica, combatendo ativamente a intolerância, o preconceito e a discriminação religiosa.
A própria etimologia da palavra religião, derivada do latim religare — que significa reconectar —, reflete esse propósito fundamental: aproximar pessoas através de valores universais como respeito, empatia e a busca pela harmonia. No Brasil, e especialmente no estado de São Paulo, essa conexão se manifesta de forma vibrante através do turismo religioso, que se tornou uma ferramenta importante para celebrar e entender a diversidade de crenças.
Como referência nacional em turismo religioso, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) desenvolveu uma série de guias turísticos especializados que mapeiam e valorizam diferentes expressões de fé. Foram criados guias específicos para o turismo Católico, Evangélico, de Religiões de Matrizes Africanas e Indígenas, Judaico, Halal e de Monumentos de Cristo, com o objetivo claro de consolidar a importância das religiões na sociedade paulista e fomentar o diálogo inter-religioso.
O estado de São Paulo tem uma relação histórica e profunda com a fé católica, evidenciada no Guia Turístico Católico, uma publicação de 166 páginas que convida a uma verdadeira jornada espiritual. O destaque incontestável é a cidade de Aparecida, que recebe anualmente cerca de 12 milhões de devotos de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O Santuário Nacional, considerado o maior templo mariano do mundo, tem capacidade para impressionantes 75 mil visitantes. Além disso, o calendário paulista é pontuado por eventos como a Marcha da Fé em Tambaú, a Festa do Bom Senhor Jesus de Iguape e o Corpus Christi de Santana de Parnaíba, entre muitos outros. O território é repleto de templos, grutas, santuários e locais de peregrinação que contam a história religiosa e cultural do povo paulista.
Com aproximadamente 84 mil templos religiosos, São Paulo também concentra o maior número de evangélicos do país. O Guia Turístico Evangélico oferece um mergulho na origem das igrejas herdeiras da Reforma Protestante, divididas entre as históricas — como Luterana, Batista, Presbiteriana e Metodista — e as pentecostais — como Assembleia de Deus, Deus é Amor, Evangelho Quadrangular e Congregação Cristã no Brasil. Para os interessados na história bíblica, uma dica valiosa é o MAB – Museu de Arqueologia Bíblica, em Engenheiro Coelho. Outro marco impressionante é o Templo de Salomão, réplica da edificação bíblica e sede mundial da Igreja Universal do Reino de Deus, que desde sua inauguração em 2014 já recebeu mais de 30 milhões de visitantes. E não se pode esquecer da grandiosa Marcha para Jesus na capital, que em 2025 reuniu dois milhões de fiéis.
Em um gesto de reconhecimento e valorização, foi criado também um Guia Turístico dedicado às Religiões de Matrizes Africanas e Indígenas, um convite explícito ao respeito e à celebração da diversidade. O guia apresenta 17 destinos paulistas, fruto de um mapeamento inédito de casas, templos, institutos e centros culturais. Para quem deseja aprofundar o conhecimento, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, no Parque Ibirapuera, possui um acervo de mais de oito mil obras com forte ênfase nas religiões afro-brasileiras. Já o Museu das Culturas Indígenas, no bairro da Água Branca, valoriza o protagonismo dos povos originários através de exposições vivas e arte contemporânea.
Os dados do IBGE ilustram bem o panorama religioso brasileiro: o catolicismo ainda é majoritário (cerca de 56,7%), seguido pelos evangélicos (26,9%), pelo grupo em crescimento dos sem religião (9,3%), espíritas (1,8%) e outras tradições como Umbanda e Candomblé (1%), além de budismo, judaísmo, islamismo e religiões indígenas. Em São Paulo, os guias turísticos da Setur-SP não são apenas roteiros de viagem; são instrumentos de educação e promoção da convivência pacífica entre diferentes crenças, materializando o espírito do Dia Mundial da Religião e mostrando que, no fim das contas, a fé pode ser um poderoso elo de união e compreensão mútua.

