O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março de 2026, será marcado no Brasil por uma série de atos públicos que se espalharão pelas cinco regiões do país. As manifestações, organizadas por movimentos sociais e entidades como a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), colocam no centro das reivindicações a denúncia da violência contra as mulheres, mas também abrangem uma agenda ampla que inclui críticas ao imperialismo, defesa da soberania e da democracia, além da luta pelo fim da escala de trabalho 6x1, atualmente em debate no Parlamento.
De acordo com a AMB, as mulheres estarão nas ruas para exigir o fim da violência contra seus corpos e a proteção de suas vidas, com foco no combate ao feminicídio. Em manifesto divulgado, a organização afirma: "Estamos nas ruas para exigir o fim da violência contra nossos corpos e a proteção de nossas vidas. Pelo fim do feminicídio". O texto também conecta as lutas locais a contextos globais, destacando que "o capitalismo, aliado ao patriarcado e ao racismo, mantém a exploração e o sofrimento das mulheres. Mulheres no Brasil, em Gaza, em Cuba, na Venezuela e em tantos outros lugares enfrentam guerras, ameaças à soberania, avanço da extrema direita e a retirada de direitos básicos".
Além da violência, os atos abordarão temas como a autonomia financeira das mulheres, que tem sido apontada como prioridade em pesquisas recentes, e a crítica às ações dos Estados Unidos (EUA) no cenário internacional. A pauta também inclui a defesa da democracia e a oposição à escala de trabalho 6x1, que vem sendo discutida no Congresso Nacional e é vista por muitos movimentos como uma medida que prejudica a qualidade de vida e os direitos trabalhistas.
Os atos estão programados para ocorrer em diversas cidades brasileiras, com horários e locais específicos. Na região Norte, destaque para Manaus (AM), com concentração às 15h na Praça da Polícia, e Belém (PA), às 9h na Escadinha da Doca. No Nordeste, Salvador (BA) terá ato às 9h no Morro do Cristo, enquanto Fortaleza (CE) se reúne às 14h no Projeto 4 Varas, na Barra do Ceará. No Centro-Oeste, Brasília (DF) realizará uma marcha a partir das 13h na Funarte, com destino ao Palácio do Buriti, e Goiânia (GO) terá concentração às 9h na Praça do Trabalhador.
Na região Sudeste, São Paulo (SP) terá ato às 14h no MASP, e Rio de Janeiro (RJ) se reunirá às 10h no Posto 3 de Copacabana. Já no Sul, Porto Alegre (RS) terá manifestação às 9h30 na Ponte da Pedra, e Curitiba (PR) às 9h na Praça Santos Andrade. A lista completa inclui dezenas de cidades, com horários variando entre as 7h30 e as 18h, demonstrando a capilaridade do movimento em todo o território nacional.
Essas mobilizações refletem um momento de intensa discussão sobre os direitos das mulheres no Brasil, impulsionado por notícias recentes, como a declaração do presidente Lula de que "não podemos nos conformar com homens matando mulheres", e a crescente atenção a temas como assédio no trabalho, onde orientações sobre como reunir provas para denunciar crimes têm ganhado espaço. A expectativa é que os atos do Dia Internacional da Mulher em 2026 sirvam não apenas para protestar, mas também para fortalecer redes de apoio e pressionar por mudanças concretas nas políticas públicas.

