O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) intensificou drasticamente a luta contra um dos comportamentos mais perigosos nas ruas e estradas: a combinação fatal entre álcool e direção. Em 2025, a fiscalização contra a alcoolemia praticamente dobrou, com números que impressionam e trazem esperança para a segurança viária. Foram quase 1.250 operações realizadas em todo o estado, abordando um total de 795 mil veículos. Esse esforço maciço resultou em 19 mil autuações por infrações relacionadas ao álcool, tirando de circulação motoristas que representavam risco para si mesmos e para toda a sociedade.
Os dados revelam um crescimento expressivo. Comparado a 2024, quando foram realizadas 565 operações e mais de 401 mil veículos abordados, o aumento foi de 121% no número de blitzes e 98% na quantidade de carros fiscalizados. Em relação a 2023, o salto é ainda mais significativo: 168% a mais em operações e impressionantes 209% no volume de veículos verificados. Esse movimento mostra uma mudança de postura do órgão, que decidiu fechar o cerco contra uma prática responsável por tantas tragédias no asfalto.
Desde 2023, quando a campanha ganhou força total, o Detran-SP já promoveu mais de 2.200 operações específicas contra a direção sob efeito de álcool, com 1,4 milhão de veículos fiscalizados. Mas não se trata apenas de multar e punir. As blitzes têm um caráter educativo forte, aproveitando o contato direto com os condutores para conscientizar sobre a importância da direção responsável. A mensagem é clara: beber e dirigir não combina, e as consequências podem ser devastadoras.
As infrações por alcoolemia
Muita gente ainda tem dúvidas sobre o que configura uma infração por alcoolemia. Ela pode se manifestar de diferentes formas: desde a simples recusa em fazer o teste do bafômetro até a constatação de embriaguez ao volante. É importante esclarecer: durante uma operação, ninguém é obrigado a soprar o etilômetro. Porém, a recusa em si já é considerada infração gravíssima, conforme o artigo 165-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Dirigir sob efeito de álcool – quando o teste aponta até 0,33 mg de álcool por litro de ar expelido – também configura infração gravíssima, de acordo com o artigo 165 do CTB e a Resolução Contran 432/2013. Nos dois casos, o bolso do infrator leva um golpe considerável: multa de R$ 2.934,70. Além do prejuízo financeiro, o condutor responde a processo de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A reincidência é tratada com ainda mais rigor. Se o mesmo motorista cometer nova infração por alcoolemia dentro de 12 meses, a multa dobra, chegando a R$ 5.869,40. Situações mais graves ocorrem quando há nova autuação por direção sob efeito de álcool durante o período de suspensão da CNH. Nesse caso, além da multa em dobro, o condutor enfrenta um processo administrativo que pode resultar na cassação do direito de dirigir. Se isso acontecer, será necessário recomeçar todo o processo de habilitação – e só depois de esperar 24 meses da cassação.
Quando vira crime
A situação se agrava ainda mais nos casos de embriaguez ao volante, quando os testes apontam índice igual ou superior a 0,34 mg de álcool por litro de ar. Aqui, a infração vira crime de trânsito, enquadrado na famosa Lei Seca, também conhecida como "tolerância zero". Motoristas flagrados nessa condição são levados diretamente ao distrito policial. Se condenados, as penas são pesadas: além da multa de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH, podem cumprir de seis meses a três anos de detenção.
Os números recordes de fiscalização em 2025 fazem parte de um contexto mais amplo de ações do Governo do Estado de São Paulo, que tem investido em diversas frentes para melhorar a qualidade de vida da população. Desde a retomada de obras paradas até projetos inéditos em mobilidade, saneamento básico, saúde e segurança pública, o estado busca transformar realidades antes consideradas impossíveis. A intensificação no combate à alcoolemia se soma a esses esforços, mostrando que, quando há vontade política e ação coordenada, é possível mudar estatísticas trágicas e salvar vidas no trânsito.

