Tobias Rylander, premiado designer de luz, cenografia e design conceitual que trabalhou com grandes nomes como Beyoncé na turnê "Cowboy Carter" e com The 1975 em "At Their Very Best", alerta para um fenômeno que chama de "inflação criativa" nas indústrias criativas.
Em entrevista à Billboard Brasil, o profissional que também colaborou com Childish Gambino, Chappell Roan, FKA Twigs e The Strokes explica que testemunhou nos últimos anos uma evolução para esse estado, caracterizado por um grande volume de ideias, ferramentas e referências visuais que diluem a singularidade e o valor da originalidade.
"Venho sentindo isso se aproximando sorrateiramente há muitos anos. Mas fica realmente claro quando você recebe novos 'tratamentos criativos' e moodboards de artistas, seus diretores criativos e suas equipes. Muitas vezes, eles são muito parecidos", relata Rylander.
O designer observa que esses materiais frequentemente incluem as mesmas imagens e referências que ele já viu e discutiu em projetos anteriores com equipes diferentes, de outros continentes. Para ele, a explicação está no fato de que todos somos alimentados pelos mesmos algoritmos no Instagram e no Pinterest, onde as imagens mais visualizadas, salvas e curtidas são mostradas para cada vez mais pessoas.
"É como os memes das redes sociais... de repente, todo mundo no planeta viu o mesmo vídeo engraçadinho. E em um dia, o mundo inteiro já entendeu a mesma referência! O mesmo acontece com a criatividade. Todos nós consumimos e assimilamos as mesmas referências. Portanto, temos as mesmas ideias", conclui Rylander, destacando como essa dinâmica pode comprometer a diversidade e a inovação no cenário artístico atual.

