O mercado de trabalho brasileiro registrou um marco significativo no terceiro trimestre deste ano, com onze unidades da federação alcançando a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012. Os estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins, além do Distrito Federal, bateram esse recorde, refletindo uma tendência nacional de redução da desocupação.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, que investiga o comportamento do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais. A pesquisa abrange todas as formas de ocupação, incluindo empregos com e sem carteira assinada, trabalho temporário e por conta própria, e considera desocupada apenas a pessoa que procurou emprego nos 30 dias anteriores à coleta de dados, realizada em 211 mil domicílios em todo o país.
No Brasil como um todo, a taxa de desemprego ficou em 5,6% no terceiro trimestre, também a mais baixa da série histórica. Esse cenário positivo é compartilhado pelas onze unidades da federação que atingiram seus patamares mínimos, embora alguns estados, como Santa Catarina e Mato Grosso, mantenham as taxas mais reduzidas do país, em 2,3%. Apesar de Santa Catarina não constar na lista de recordes históricos, sua taxa se manteve estável em comparação ao trimestre anterior, com uma variação considerada insignificante pelo IBGE.
William Kratochwill, analista da pesquisa, destacou que a estrutura econômica regional é um fator crucial para explicar as baixas taxas de desocupação. "A estrutura econômica dessas regiões é a principal explicação para terem números tão baixos, porque cada um tem uma característica diferente", afirmou. Ele citou o exemplo de Santa Catarina, que possui o maior percentual de pessoas empregadas na indústria, contribuindo para sua robustez no mercado de trabalho.
Em contrapartida, estados do Nordeste, como Bahia e Ceará, ainda enfrentam taxas de desemprego mais elevadas, superando a média nacional. Kratochwill atribuiu isso ao menor desenvolvimento econômico da região e à baixa escolarização. "Isso talvez seja um empecilho para que se desenvolva mais economicamente, uma vez que falta mão de obra qualificada para a economia crescer", explicou, ressaltando a necessidade de políticas que melhorem a qualificação profissional e estimulem o crescimento econômico local.
O levantamento também revelou disparidades na formalização do trabalho. Oito unidades da federação, incluindo Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, têm percentuais de empregados com carteira assinada no setor privado acima da média brasileira de 74,4%. Santa Catarina lidera com 88,0%, enquanto sete estados, como Maranhão e Piauí, não atingem 60%, indicando desafios persistentes na garantia de direitos trabalhistas em algumas regiões.
Esses resultados reforçam a importância de monitorar continuamente o mercado de trabalho, especialmente em um contexto de recuperação econômica pós-pandemia. A Pnad Contínua segue como ferramenta essencial para orientar políticas públicas e entender as dinâmicas regionais, com expectativas de que a tendência de queda no desemprego possa se sustentar nos próximos trimestres, desde que acompanhada por investimentos em educação e infraestrutura.

