Há exatos 30 dias, a cidade de Bacabal, no interior do Maranhão, vive um drama que se repete em muitas famílias brasileiras: a busca incessante por três crianças que desapareceram sem deixar rastros. Enquanto a comunidade local e as autoridades seguem sem avanços concretos, os números oficiais revelam uma triste realidade estadual e nacional sobre desaparecimentos.
De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), compilados a partir de informações enviadas pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o estado registrou, em 2025, uma média de três desaparecimentos por dia. No total, foram 1.182 pessoas dadas como desaparecidas ao longo do ano, colocando o Maranhão na quarta posição em número de sumiços na região Nordeste, atrás apenas da Bahia (3.929), Pernambuco (2.745) e Ceará (2.578).
Os meses que mais preocuparam foram outubro, com 136 casos, seguido por junho (111), agosto (110), fevereiro (100) e novembro (99). Do total de desaparecidos no estado, 846 tinham mais de 18 anos, enquanto 318 eram crianças e adolescentes. O sistema também registra que, em 2025, 244 pessoas foram localizadas no Maranhão: 176 adultos, 64 menores de idade e quatro sem idade informada. Entre os encontrados, a maioria era do sexo masculino (162 homens contra 62 mulheres, com quatro casos sem informação de sexo).
No cenário nacional, os números são ainda mais alarmantes. O Brasil registrou 84.760 desaparecimentos em 2025, uma média de 232 sumiços por dia e um aumento de 4,1% em relação a 2024. Desse total, 56.688 pessoas foram localizadas no ano, um crescimento de 2% comparado a 2024 (55.530). O Maranhão ocupa a 15ª posição no ranking nacional de desaparecidos.
Um dado que chama a atenção e se conecta diretamente ao caso de Bacabal é que quase um terço (28%) das pessoas desaparecidas em 2025 no país tinham menos de 18 anos de idade. As 23.919 ocorrências envolvendo crianças e adolescentes representaram um aumento de 8% em comparação a 2024 – o dobro da média geral de crescimento, que foi de 4%. Entre o público infantojuvenil desaparecido, a maioria (62%) é do sexo feminino. No geral, os homens representam 64% do total de desaparecidos no Brasil.
Diante dessa realidade, é crucial saber como agir quando alguém desaparece. Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso esperar 24 horas para fazer o registro. O boletim de ocorrência pode ser feito imediatamente em uma delegacia da Polícia Civil ou de forma digital, através de canais online disponibilizados pelas secretarias de segurança estaduais. A rapidez na comunicação é fundamental, pois aumenta as chances de localização.
As autoridades orientam que, ao reportar um desaparecimento, seja fornecido o máximo de informações possíveis sobre a pessoa, incluindo nome completo, idade, características físicas (como altura, cor dos olhos, cabelo, marcas ou tatuagens), as roupas que estava usando no momento do sumiço e todas as circunstâncias conhecidas do fato. Qualquer detalhe, por menor que pareça, pode ser decisivo nas buscas.
Para quem tem informações sobre desaparecimentos, os canais de denúncia são importantes aliados. É possível prestar informações anônimas através dos números 197 (Disque-Denúncia) ou 181, dependendo da região. Esses serviços são mantidos pelas secretarias de segurança pública estaduais e podem ser acionados 24 horas por dia.
Enquanto as famílias das três crianças de Bacabal seguem na angústia da espera, os números nacionais mostram que o problema dos desaparecimentos, especialmente entre menores, é uma questão urgente e crescente. A conscientização sobre os procedimentos corretos e a agilidade no registro continuam sendo as principais armas na corrida contra o tempo para reencontrar quem sumiu.

