Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira (5), em um cenário de crise política e militar sem precedentes na história do país. A posse ocorreu após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher por forças dos Estados Unidos no último sábado (3), em uma operação que o governo venezuelano classificou como "um ataque de grande escala".

Rodríguez, que era vice-presidente do país, prestou juramento perante a Assembleia Nacional e se tornou a primeira mulher a assumir a liderança do Executivo venezuelano. Em seu discurso, ela exigiu "a libertação imediata" de Nicolás Maduro, a quem se referiu como "o único presidente da Venezuela", e condenou veementemente a operação militar dos Estados Unidos.

A decisão pela posse interina de Delcy Rodríguez partiu do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, que determinou no sábado que ela assumisse o cargo "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação". No dia seguinte, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram oficialmente Rodríguez como chefe de Estado, em um movimento que busca consolidar a autoridade do governo em meio à turbulência.

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O sequestro de Maduro ocorreu em meio a uma escalada de tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos. Horas após a captura, o presidente Donald Trump realizou uma coletiva de imprensa para anunciar que os EUA vão governar o país até que se conclua uma transição de poder, declaração que foi recebida com indignação pelo governo venezuelano e por parte da comunidade internacional.

Enquanto isso, Nicolás Maduro, mantido em custódia nos Estados Unidos, se declarou "um prisioneiro de guerra" perante a Justiça norte-americana. O governo venezuelano, por sua vez, já emitiu ordens de prisão contra os envolvidos no sequestro, e o filho de Maduro fez um apelo público por mobilização para a libertação de seu pai.

A situação tem dividido a comunidade internacional, com alguns países condenando a ação dos Estados Unidos como uma violação da soberania venezuelana, enquanto outros celebram a queda de Maduro, figura polarizadora que governava o país há anos. O futuro da Venezuela agora parece incerto, com Delcy Rodríguez à frente de um governo interino que enfrenta o desafio de navegar por uma crise complexa e de proporções históricas.