A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu nesta terça-feira (17) com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das investigações sobre as fraudes no Banco Master. O encontro, solicitado pelo advogado José Luís Oliveira Lima, novo defensor de Vorcaro, teve como pano de fundo a possibilidade de o banqueiro oferecer uma delação premiada.

A mudança na equipe de defesa, ocorrida na semana passada, já havia sinalizado uma guinada na estratégia do banqueiro. Vorcaro deixou a banca do advogado Pierpaolo Bottini, conhecido por suas críticas a acordos de colaboração, e contratou José Luís Oliveira, um especialista com vasta experiência na formatação de delações. Oliveira foi responsável, por exemplo, pelo acordo do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, um dos delatores emblemáticos da Operação Lava Jato.

A decisão de buscar um caminho de colaboração com as autoridades ganhou força após o Supremo Tribunal Federal formar maioria para manter Vorcaro preso na Penitenciária Federal de Brasília, um presídio de segurança máxima. Diante da perspectiva de permanecer encarcerado, o banqueiro passou a cogitar delatar pessoas com quem manteve relações pessoais, incluindo políticos e juízes, conforme apurado pela Agência Brasil.

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O encontro com o ministro André Mendonça ocorreu no mesmo dia em que o relator prorrogou o inquérito da Polícia Federal que investiga as fraudes no Banco Master. As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar a concessão de créditos falsos pela instituição financeira. Entre os fatos investigados está a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), um banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

Paralelamente, a Polícia Legislativa do Senado Federal vai investigar o vazamento de dados sigilosos de Daniel Vorcaro, um episódio que também tem movimentado o caso. A reunião desta terça-feira, portanto, acontece em um momento de intensa movimentação processual e investigativa, com a defesa do banqueiro buscando articular uma saída por meio de um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal.

Agora, os próximos passos dependem das tratativas entre a defesa e o ministro relator, que avaliará a pertinência e a formalidade de uma eventual proposta de delação. O caso do Banco Master, que já envolve suspeitas de fraudes milionárias e relações com o poder público, pode ganhar novos e reveladores capítulos se a colaboração de Vorcaro de fato se concretizar.