O mercado global de energia enfrenta uma crise ainda mais profunda após uma nova escalada de ataques no Oriente Médio nesta terça-feira (7). O conflito, que já dura desde o final de fevereiro, entrou em uma fase mais agressiva com o anúncio do Irã de que suspenderá as restrições para novos ataques, enquanto Israel promete bombardear linhas férreas iranianas e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emite um ultimato ameaçador.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) divulgou um comunicado afirmando que "todas as considerações" para seleção de alvos foram eliminadas. "Os parceiros regionais dos EUA também devem saber que, até hoje, por uma questão de boa vizinhança, exercemos imensa contenção e mantivemos considerações na seleção de alvos para retaliação, mas, a partir de agora, todas essas considerações foram eliminadas", disse a IRGC. A declaração sugere que os próximos ataques iranianos podem ser mais amplos e menos seletivos.

Os ataques recentes começaram com Israel atingindo duas vezes o complexo petroquímico de Shiraz, uma das principais usinas do Irã, conhecida pela fabricação de fertilizantes. As forças israelenses alegaram que a unidade era usada para produção de ácido nítrico para fabricação de explosivos. Outra petroquímica na província de Bushehr, no sul do Irã, também foi atacada por Israel e EUA. A Companhia Nacional de Petroquímica (NPC) do Irã afirmou estar investigando a extensão dos danos.

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Fontes anônimas do Exército dos EUA informaram à agência Reuters e ao portal Axios que o país realizou ataques à ilha iraniana de Khang, onde o Irã concentra cerca de 90% das suas exportações de petróleo e gás. O Irã não confirmou esses ataques específicos.

Em retaliação, o Irã informou que bombardeou "com sucesso" o complexo petroquímico de Jubail, no leste da Arábia Saudita, um dos maiores polos petroquímicos do planeta. A IRGC também afirmou ter atacado outro complexo em Ju'aymah, que pertenceria à empresa estadunidense Chevron Phillips. Além disso, o Irã disse ter bombardeado um navio porta-contêineres de Israel que tentava utilizar o porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos. "A destruição deste navio serve como um alerta severo para qualquer embarcação que tente cooperar com o regime sionista [Israel] e os Estados Unidos de qualquer forma", diz o comunicado.

Enquanto isso, o presidente Donald Trump reforçou o ultimato aos iranianos, ameaçando que "toda uma civilização vai morrer essa noite". Ele anunciou um provável crime de guerra de grandes proporções contra um país de 90 milhões de pessoas, em referência ao Irã. Os ataques desta terça-feira fazem parte da 99ª onda de ataques do Irã desde o início da agressão sofrida por Teerã, no dia 28 de fevereiro.

Os danos humanos no Irã são significativos. Segundo a Agência de Direitos Humanos do Irã (HRANA), ligada a ativistas opositores do governo, pelo menos 109 pessoas foram mortas em 24 horas terminadas na segunda-feira (6). "A grande escala dos ataques nas últimas 24 horas representa a maior taxa de ataques observada nos últimos dez dias", diz a HRANA. Foram 573 ataques em 20 províncias. Desde o dia 28 de fevereiro, foram 1,6 mil civis mortos, incluindo 248 crianças, além de outros 1,2 mil militares iranianos. Não foi possível identificar o status de outros 711 óbitos.

A Arábia Saudita não se manifestou sobre os ataques ou sua extensão. A IRGC afirma que os EUA atuam como sócios em instalações sauditas, incluindo participação das empresas estadunidenses Sadara, ExxonMobil e Dow Chemical. A destruição dessas infraestruturas deve aprofundar a crise energética global, com a IRGC prometendo: "Vamos lidar com a infraestrutura dos Estados Unidos e de seus parceiros de tal forma que os Estados Unidos e seus aliados fiquem privados do petróleo e gás da região por anos".