O corpo da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, que estava desaparecida desde 17 de dezembro do ano passado, foi encontrado nesta quarta-feira (28) em Caldas Novas, no sul de Goiás. A polícia localizou os restos mortais em uma área de mata, já em estado de decomposição, após uma confissão do principal suspeito do crime.
Daiane foi vista pela última vez no elevador do condomínio onde a família possuía apartamentos. As imagens de segurança mostraram que ela desceu para o subsolo do prédio e depois desapareceu misteriosamente, sem deixar rastros. O caso permaneceu sem solução por mais de um mês, até que novas investigações levaram às prisões.
Nesta madrugada, a Polícia Civil prendeu Cléber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio, e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira. Cléber confessou o crime à polícia e foi ele quem indicou o local onde o corpo de Daiane estava escondido. Segundo as investigações, o síndico e a corretora tinham um histórico de brigas por problemas relacionados à administração do condomínio onde viviam.
O caso chama atenção para o alarmante cenário de violência contra a mulher no Brasil. Dados recentes mostram que mais de 71 mil mulheres foram vítimas de violência somente no estado do Rio de Janeiro em 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem colocado o enfrentamento à violência contra a mulher como prioridade em sua agenda, defendendo punições mais duras para esse tipo de crime.
Os números de feminicídio bateram recorde em algumas regiões do país no ano passado, com casos que comoveram a nação pela crueldade. Em São Paulo, Tainara Santos morreu após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por um ex-companheiro. No Rio de Janeiro, as servidoras do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, Allane Matos e Layse Costa, foram mortas a tiros por um colega de trabalho.
O feminicídio é definido como o homicídio de uma mulher cometido em razão do seu gênero, caracterizado por violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação contra a condição feminina. Considerado a expressão máxima da violência de gênero, esse crime frequentemente ocorre como desfecho de um histórico de agressões, podendo ser motivado por ódio, inferiorização ou sentimento de posse sobre a vítima.
No Brasil, o feminicídio é considerado crime hediondo e, quando tipificado como qualificador do homicídio, a pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. A confissão do síndico no caso de Daiane Alves de Souza deve acelerar o processo judicial, mas a tragédia serve como mais um alerta sobre a urgência de políticas eficazes de proteção às mulheres em todo o país.

