INTRODUÇÃO: O ano de 2024 tem sido uma montanha-russa para a Coreweave, provedora de infraestrutura em nuvem para inteligência artificial. Desde seu IPO em março – um dos mais aguardados do ano, mas que não correspondeu às expectativas – até a tentativa fracassada de adquirir a parceira Core Scientific em outubro, a empresa tem navegado entre críticas e elogios no explosivo mercado de data centers para IA. Em entrevista exclusiva ao Fortune's AI Brainstorm, o cofundador e CEO Michael Intrator defendeu a trajetória da empresa, argumentando que está criando um "novo modelo de negócios" para a computação em nuvem.

DESENVOLVIMENTO: A volatilidade das ações da Coreweave tem sido um ponto de atenção constante. Após estrear a US$ 40 em março, as ações atingiram picos acima de US$ 150, mas atualmente se estabilizam em torno de US$ 90. Críticos mais cautelosos chegaram a comparar a empresa a uma "meme stock" devido às suas oscilações bruscas. Parte dessa instabilidade é atribuída ao alto nível de endividamento da companhia – uma estratégia que inclui usar seu valioso estoque de GPUs da Nvidia como garantia para empréstimos. Recentemente, o anúncio de mais dívida para financiar a expansão de data centers causou uma queda de 8% no valor das ações.

Intrator, no entanto, vê essa turbulência como parte natural do processo de disrupção. "Quando você introduz um novo modelo, uma nova forma de fazer negócios, quando disrupta um ambiente que era estático, vai levar um tempo para as pessoas se acostumarem", afirmou durante o evento. Ele também atribuiu parte das dificuldades ao contexto macroeconômico desafiador, lembrando que o IPO ocorreu pouco antes da implementação das tarifas do ex-presidente Trump, criando "ventos contrários incríveis" para o lançamento.

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A trajetória da Coreweave é marcada por uma transformação radical: de mineradora de criptomoedas a provedora estratégica de infraestrutura de IA para gigantes como Microsoft, OpenAI, Nvidia e Meta. Essa posição privilegiada também a coloca no centro do debate sobre "circularidade" no setor – quando um pequeno grupo de empresas poderosas de IA investe umas nas outras, levantando questões sobre estabilidade econômica de longo prazo. Intrator defendeu essas práticas como necessárias: "As empresas estão tentando lidar com uma mudança violenta na oferta e demanda. Você faz isso trabalhando junto."

CONCLUSÃO: O ano conturbado da Coreweave reflete os desafios e oportunidades de um setor em transformação acelerada. Apesar das quedas nas ações após anúncios de mais dívida e da aquisição fracassada da Core Scientific, a empresa mantém uma expansão agressiva com múltiplas aquisições (Weights and Balances, OpenPipe, Marimo e Monolith) e planos de entrar no mercado federal norte-americano. O caso Coreweave ilustra como os provedores de infraestrutura para IA estão reinventando não apenas a tecnologia, mas também os modelos financeiros e de parceria do setor. Seu sucesso ou fracasso servirá como termômetro para a maturidade de um ecossistema que ainda busca equilibrar crescimento explosivo com sustentabilidade econômica, enquanto redefine as regras da computação em nuvem na era da inteligência artificial.