Em um movimento para alinhar as necessidades do setor produtivo com a oferta de energia elétrica, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e as lideranças do G7 – grupo que reúne as principais entidades do setor produtivo paranaense – decidiram formar grupos de trabalho conjuntos. O objetivo é definir soluções de curto prazo para as demandas dos segmentos industrial, agroindustrial e cooperativista do estado. O alinhamento foi firmado nesta quarta-feira (28), durante a primeira reunião do G7 deste ano, realizada na sede da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), em Curitiba.

O presidente da Copel, Daniel Slaviero, participou do encontro ao lado dos presidentes das entidades de classe e do vice-governador Darci Piana. Slaviero destacou a convergência de interesses. “Temos objetivos comuns. Temos absolutamente o mesmo interesse, que é atender aos clientes. Vamos fazer um plano de ação para atuar em curtíssimo, curto, médio e longo prazos. Essa interlocução é muito importante”, afirmou. A proposta é criar uma agenda de trabalho que responda com agilidade às solicitações do setor produtivo, que tem na energia um insumo crítico para suas operações.

Estiveram presentes os presidentes do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken; da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos; da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette; e da Faciap, Flávio Furlan. Cada um apresentou as necessidades específicas de seus setores, com foco no atendimento prioritário às demandas de seus representados. Também participou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Luiz Gustavo Vidal Pinto. A reunião serviu como um canal direto para expor os gargalos e buscar soluções em conjunto com a concessionária de energia.

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O vice-governador Darci Piana enfatizou a importância da colaboração entre as partes e apontou questões críticas que precisam de atenção. Ele mencionou a necessidade de que grandes empreendimentos busquem a Copel ainda na fase de planejamento, antes da instalação, para garantir que a rede elétrica esteja adequadamente dimensionada. Piana também ressaltou a relevância da parceria no manejo vegetal (controle da vegetação próximo às linhas de transmissão), a importância da regularidade na geração distribuída para evitar oscilações na rede e lembrou que produtores rurais podem solicitar a extensão da rede trifásica para suas propriedades com subsídios disponíveis. “Estes assuntos são os que têm os maiores problemas”, afirmou o vice-governador, sinalizando os pontos que demandam ação imediata.

O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, chamou a atenção para a dimensão do desafio, especialmente no agronegócio. “Teremos uma das maiores safras do Paraná. Devemos receber um pouco acima de 30 milhões de toneladas de grãos. A responsabilidade é enorme e temos a energia como insumo principal”, salientou. A fala de Ricken evidencia a pressão sobre a infraestrutura energética em um momento de alta produção, tornando ainda mais urgente a definição de soluções práticas e eficientes.

Como parte das ações concretas decorrentes do alinhamento, a Copel já tem agenda definida com o setor produtivo. A companhia estará presente no Show Rural Coopavel, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do estado. No evento, a Copel montará um estande próprio e terá equipes técnicas para orientar produtores rurais e cooperados sobre a conexão à nova rede trifásica. Atualmente, o Paraná conta com 25 mil km dessa rede implantados, sendo 4,3 mil quilômetros apenas na região Oeste, atendendo 50 municípios.

Além disso, no dia 10 de fevereiro, equipes da Copel participarão de uma reunião com representados da Ocepar das regiões Oeste e Sudoeste para mapear as demandas locais. A presença da companhia nesse e em outros encontros regionais da Fiep foi acordada durante a reunião do G7, com cronogramas a serem definidos. A agenda de compromissos segue no início de março. No dia 9, a Copel estará em Palmeira, nos Campos Gerais, para o evento de abertura do encontro de núcleos da Ocepar com as cooperativas Witmarsum e Cerwit. Entre os dias 9 e 12 de março, técnicos da empresa também participarão de encontros regionais em Francisco Beltrão (Cooperativas de Beltrão), Medianeira (Cooperativa Lar) e Campo Mourão (Coamo).

Em relação às demandas específicas apresentadas durante a reunião, o presidente da Copel, Daniel Slaviero, afirmou que a companhia irá analisar caso a caso e encaminhar as soluções cabíveis. Ele sugeriu aos representantes do G7 uma reunião de retorno para avaliar o avanço das ações. “Está clara a disposição e o trabalho que vamos fazer. Está clara a necessidade dos clientes relacionada ao tempo de resposta e recomposição da energia. Vamos nos reencontrar em 90 dias em uma reunião executiva para o andamento dos processos”, disse Slaviero, estabelecendo um prazo para a primeira avaliação conjunta.

Para o presidente da Fetranspar e coordenador do G7 na reunião, Sérgio Malucelli, o encontro foi produtivo e bem encaminhado. “Na reunião tudo ficou bem encaminhado. A Copel entendeu os nossos problemas e vamos trabalhar em conjunto”, frisou. A avaliação positiva indica um clima de cooperação e abertura para resolver as questões levantadas pelo setor produtivo.

O presidente da Copel esteve acompanhado de parte da diretoria da empresa durante a reunião, incluindo o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antônio Villela de Abreu; a diretora de Operação e Manutenção, Karine Torres; e os diretores Comercial, Julio Omori, e de Comunicação, David Campos. A presença do alto escalão da companhia reforça a importância estratégica dada ao diálogo com o setor produtivo paranaense.