A Copel (Companhia Paranaense de Energia) está prestes a realizar a maior expansão de sua capacidade de geração de energia desde a década de 1990. As duas maiores usinas hidrelétricas da empresa, Foz do Areia e Segredo, localizadas no rio Iguaçu, na região Centro-Sul do Paraná, passarão por ampliações que vão aumentar a potência instalada da companhia de 6,2 para 8,3 gigawatts (GW), um crescimento de 33%.
A conquista foi garantida no 2° Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP), promovido pelo governo federal na última quarta-feira (18). O investimento total nos empreendimentos será de R$ 4,9 bilhões – R$ 3,6 bilhões em Segredo e R$ 1,3 bilhão em Foz do Areia.
"Este é um momento histórico para a Copel e para o Paraná. Vamos retomar os investimentos estratégicos de geração hidrelétrica em nosso Estado, com duas grandes obras simultâneas, consolidando nosso Estado entre os maiores produtores de energia limpa e renovável do Brasil", destacou o presidente da Copel, Daniel Slaviero.
Atualmente, as duas usinas somam 2,9 GW de potência instalada, capacidade suficiente para atender 8,3 milhões de pessoas. Com as ampliações, serão adicionados mais 2,1 GW, o que permitirá atender mais 6 milhões de pessoas. As obras começam ainda este ano e devem gerar quase 2 mil empregos diretos no auge dos trabalhos, com previsão de conclusão para 2030.
Os projetos contemplam a instalação de duas novas unidades geradoras (turbinas) em cada usina. "A vitória nesse leilão mostra a excelência da Copel ao buscar suas próprias oportunidades e desenvolver os melhores projetos para o país. E essa conquista só foi possível porque a Copel foi transformada em corporação e, assim, manteve as concessões das grandes usinas do Iguaçu", completou Slaviero.
A mudança da Copel de empresa de economia mista para corporação foi fundamental para o projeto. Essa transformação garantiu à empresa o direito de renovar, em 2024, as concessões das usinas Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias por mais 30 anos. Com a concessão renovada, a Copel avançou com os projetos de ampliação, obteve as licenças ambientais e entrou na disputa do LRCAP com propostas competitivas.
Foz do Areia: a "bateria natural" do sistema
A Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, conhecida como Foz do Areia, é a maior hidrelétrica operada pela Copel, com 1.676 megawatts (MW) de potência instalada. Com a ampliação, sua capacidade aumentará para 2.536 MW, tornando-a a 8ª maior usina do Brasil.
Um detalhe curioso revela a visão de futuro dos engenheiros da Copel na década de 1970: ao projetarem a usina, incluíram dois poços adicionais na casa de força, além dos quatro que acomodaram as turbinas instaladas na época. "Essa estratégia do passado a coloca, hoje, em uma condição privilegiada para a ampliação", explica material da empresa. A necessidade de intervenção na estrutura é reduzida e os trabalhos devem se concentrar na montagem de equipamentos, reduzindo custos e tempo de obra, estimado em 40 meses.
Por ser uma hidrelétrica com reservatório de grande capacidade de acumulação de água e situada a montante (rio acima) das demais hidrelétricas da bacia, Foz do Areia desempenha um papel fundamental para a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia elétrica. Sua capacidade de armazenar água permite responder prontamente a picos de demanda, atuando como uma espécie de "bateria natural" do sistema.
Segredo: dobrando a capacidade com sustentabilidade
A Usina Hidrelétrica Governador Ney Aminthas de Barros Braga, conhecida como Usina Segredo, atualmente é a segunda maior da Copel, com 1.260 MW de potência instalada. Com a ampliação, ela vai passar para 2.526 MW, dobrando sua capacidade sem a necessidade de desapropriar nem alagar novas áreas.
O projeto é um exemplo de engenharia sustentável: túneis escavados na década de 80 para desviar o rio durante a construção da barragem, e que depois foram inutilizados, serão reativados para levar a água do reservatório até as novas turbinas. "Isso evitará corte de vegetação nativa e, também, a interferência na rodovia PR-459, que passa sobre a barragem", destaca a empresa.
"A ampliação de Segredo é mais um exemplo de como a engenharia da Copel busca sempre inovar e deixar um legado para o Paraná de grandes empreendimentos que carregam a marca da sustentabilidade. Vamos dobrar a potência dessa usina com um projeto moderno, eficiente e com o menor impacto ambiental possível, aproveitando estruturas que já existiam e estavam sem uso desde a obra original", afirmou o diretor-geral de Geração e Transmissão da Copel, Rogério Pereira Jorge.
O projeto inclui ainda uma nova linha de transmissão de 1,5 km e a reforma na Estação Experimental de Estudos Ictiológicos, onde acontece a reprodução em cativeiro de peixes nativos do Iguaçu para repovoamento dos reservatórios. As obras devem ser concluídas em até cinco anos.
Como funcionou o leilão
O LRCAP foi realizado com o objetivo de assegurar que o Sistema Interligado Nacional tenha potência suficiente disponível para atender à demanda por energia nos momentos mais críticos. A lógica é que, em períodos de pico de consumo ou escassez hídrica, o Operador Nacional do Sistema (ONS) precise contar com usinas preparadas para entrar em operação rapidamente.
Para esse leilão, foram cadastrados 16 projetos hidrelétricos e contratados somente os cinco mais eficientes. "A Copel entrou nesse leilão com os melhores projetos para o País, os mais eficientes, fruto de um trabalho incansável de nossas equipes. A estratégia da Companhia está na busca de equilíbrio entre sustentabilidade, segurança energética e o menor custo para o consumidor brasileiro", afirmou o vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios e Transformação Digital, Diogo Mac Cord.
Os empreendedores ofereceram projetos que poderiam entrar em operação no prazo estabelecido, competindo por preço em cada rodada do leilão. Venceu quem ofereceu os menores preços pela disponibilidade de potência ao Sistema Interligado Nacional. Os contratos firmados têm vigência de 15 anos.
Com essas ampliações, o Paraná reforça sua posição como um dos principais produtores de energia limpa e renovável do Brasil, garantindo maior segurança energética para o país e desenvolvimento econômico para o estado.

