Enquanto a sensação térmica de 37°C convidava para um mergulho no mar, cerca de 400 pessoas enfrentavam o sol escaldante em um domingo (18) bem distante da orla. Em Paranaguá, no Litoral do Paraná, a primeira etapa da 6ª Copa Ninja de Mountain Bike agitou a programação do Verão Maior Paraná, integrando os Jogos de Aventura & Natureza promovidos pela Secretaria de Estado do Esporte (Sees).
Rodrigo Bonesso, mais conhecido como Rodrigo Ninja, criador e organizador da competição, destacou a evolução do evento. "Faz três anos que o Governo do Estado vem ajudando e incentivando a Copa Ninja, que hoje é um evento grande. Temos atletas de quatro estados: Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina e gente de todas as regiões do Paraná", afirmou. Ele ressaltou ainda o crescimento profissional do esporte: "Atualmente, temos 17 atletas de elite, federados, que participam de equipes e têm renda com o esporte. É um número significativo".
A Copa Ninja começou como treino para a equipe de Rodrigo Ninja, por três anos. Após abrir para outros atletas por um ano, transformou-se em competição, completando seis edições neste fim de semana. "Com o apoio que recebemos do Governo do Estado em duas etapas, a gente consegue bancar o campeonato inteiro. A parceria com a Secretaria do Esporte tem sido fundamental", relatou. Ele também elogiou os resultados do Verão Maior Paraná e os investimentos em infraestrutura para os municípios da região, resumindo: "Mudou o Litoral".
O percurso da competição foi um desafio à parte. Realizado em uma área de mata e estradas de chão irregulares, o trajeto circular de 9,65 km exigiu múltiplas voltas dependendo da categoria. Competidores chegaram a percorrer até 48,25 km para cruzar a linha de chegada. Para as crianças, o desafio foi adaptado à idade, variando entre 0,5 km e 2 km.
O evento foi dividido em oito categorias, abrangendo desde iniciantes até atletas experientes. Pessoas com deficiência (PCD) e atletas com deficiência auditiva (DEAF), atendidos por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), também tiveram categorias próprias.
Jackson Kishimoto, de 41 anos, cadeirante há 23, foi o primeiro PCD a completar as duas voltas no circuito de terra usando uma handbike. Com tempo de 1h29min52s, o representante de vendas, que pratica mountain bike adaptado há cinco anos e disputa a Copa Ninja há dois anos e meio, descreveu a prova como exaustiva. "O trajeto nunca é fácil, principalmente nas subidas. É pesado, mas possível", assegurou. Ele destacou o ambiente familiar da competição: "Tenho um carinho muito grande pela prova porque aqui é tudo muito família. A gente se sente em casa. Há muito cuidado com todo mundo".
Enquanto a corrida acontecia, famílias se divertiam nas piscinas, conversavam amigavelmente e gritavam palavras de incentivo aos competidores, criando um cenário de integração e apoio.
Micael José Krupczak, de 37 anos, foi o primeiro a celebrar vitória na edição deste ano. Com tempo de 40min25s, ele conquistou o título da categoria Light. "Foi uma prova dura, mas gostosa. A trilha estava leve e o estradão bem compactado, sem barro. A adrenalina e a velocidade da prova é que dificultaram um pouco mais", analisou o eletricista de São José dos Pinhais.
Ele expressou satisfação em ver o mountain bike ganhando visibilidade: "O fato de estar nos Jogos da Natureza, no Verão Maior Paraná, significa reconhecimento para o mountain bike, que está crescendo muito. E serve para mostrar para quem não pedala como é o nosso esporte". Krupczak também enviou uma mensagem importante: "Serve para que conheçam e respeitem. Especialmente nas estradas, porque hoje a gente vê muitos atropelamentos de ciclistas".
A categoria Kids foi um dos destaques da competição. Cerca de 80 atletas-mirins de até 12 anos encararam a aventura às 7h30. "A categoria Kids é a menina dos olhos da Copa Ninja. Essas crianças treinam igual gente grande. E o esporte é a maneira mais barata e rápida de construir um cidadão com disciplina, educação e saúde", afirmou Rodrigo Ninja.
As premiações variaram conforme as categorias. Todas somaram pontos para a Copa Ninja, que terá seis etapas até novembro de 2026, com medalhas para os competidores e troféus para os cinco primeiros colocados. Nas modalidades Elite e Pró, mais exigentes tecnicamente e fisicamente, houve premiação em dinheiro: R$ 300 para o campeão, R$ 250 para o vice, e assim sucessivamente até o quinto colocado, que recebeu R$ 100. Para essas categorias, foram necessárias cinco voltas completas (48,2 km).
Os competidores de nível médio participaram da modalidade Sport, percorrendo 38,6 km de estradões e trilhas. Iniciantes optaram pela Light, com duas voltas (19,3 km). Bicicletas com ajuda motorizada ficaram na categoria E-Bike. Para quem não queria competir, a opção foi a Cicloturismo, com uma volta no percurso em clima de passeio.
A Copa Ninja foi criada para difundir a prática do mountain bike e fortalecer o esporte. Os trajetos exploram cenários naturais, combinando trilhas técnicas, variações de terreno, trechos de mata e desafios que testam resistência, habilidade e estratégia dos atletas, consolidando-se como um evento importante no calendário esportivo paranaense.

