Representantes do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) participaram de uma reunião nesta sexta-feira (20) na sede da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo para conhecer em detalhes o trabalho do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad). O núcleo, que atua especificamente na proteção de crianças e adolescentes contra crimes virtuais, apresentou números impressionantes: em apenas um ano e quatro meses de operação, já conseguiu salvar 365 vítimas de estupros, automutilações e suicídios em plataformas digitais, além de mais de 1,3 mil animais domésticos.

A apresentação foi mediada pela delegada Lisandréa Savariego, coordenadora do Noad, que destacou a importância da parceria entre sociedade e estado no combate a esses crimes. "Esses crimes só serão efetivamente combatidos quando houver uma união entre sociedade e estado. Então o papel dos Consegs é fundamental considerando a interface com os moradores dos bairros, de forma que esse conhecimento seja replicado e atinja cada vez mais pessoas", afirmou a delegada durante o encontro.

Para o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o evento teve grande importância para que os conselheiros compreendessem a complexidade do tema e pudessem difundir o conhecimento em suas comunidades. "Atualmente temos mais de 500 Consegs ativos em todo o estado, então a gente imagina o alcance que essas informações podem chegar, fortalecendo à prevenção nesse tipo de crime", reforçou o chefe da pasta.

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O trabalho do Noad envolve o monitoramento de mais de 700 alvos na internet que utilizam uma estratégia particularmente cruel: criam perfis falsos dentro de uma plataforma de jogo online para atrair vítimas, geralmente meninas entre 7 e 16 anos, por meio de um namoro virtual. Quando a vítima envia uma foto ou vídeo íntimo para o agressor, começam as chantagens, e a jovem é exposta a cenas de violência transmitidas em lives que chegam a reunir mais de mil pessoas.

Os Consegs representam justamente esse elo entre a comunidade e a segurança pública. Formados por cidadãos comuns que voluntariamente debatem questões de segurança em reuniões com autoridades policiais, esses conselhos servem como ferramenta de apoio das polícias Civil e Militar, recebendo demandas das comunidades e buscando soluções para os problemas locais.

O coronel Leonardo Isipon, diretor estadual dos Consegs, explica a importância dessa participação popular: "Ninguém conhece mais de um problema da região do que o morador que está ali no dia a dia. A participação da população é essencial para a melhoria da segurança pública, e os Consegs existem para estreitar essa relação com a polícia".

A valorização dos Consegs tem sido uma marca da atual gestão da segurança pública paulista. Até 2023, o estado contava com 390 Consegs - hoje são 516 conselhos que ajudam a formar políticas públicas para a segurança. A pasta tem sido pioneira na ampliação do projeto para outros públicos, com a criação do Núcleo de Apoio Local (NAL) para indígenas e pessoas com deficiência.

Além disso, as reuniões dos Consegs foram expandidas ao interior paulista em etapas do Ciclo Estadual de Integração Comunitária, e são realizados cursos de capacitação de liderança do Conseg. Cada conselho tem um presidente, que conduz as reuniões e leva as queixas e reivindicações da comunidade diretamente para a Secretaria da Segurança Pública, fechando o ciclo de comunicação entre população e autoridades.