Uma comitiva do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) esteve no Paraná nesta semana para conhecer de perto o modelo das Unidades de Progressão (UPs), consideradas um dos sistemas penitenciários mais eficientes do país. A visita, que incluiu integrantes da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais e do Complexo Penitenciário Público Privado de Ribeirão das Neves, teve como objetivo estudar a metodologia que combina segurança, trabalho e estudo em ambientes disciplinados e organizados.
O grupo visitou a Unidade de Progressão de Ponta Grossa (UPPG) e a Penitenciária Central do Estado (PCE-UP), em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Durante a inspeção, os representantes mineiros observaram os pilares que sustentam o sucesso do modelo paranaense: ambientes limpos e organizados, rotina estruturada, relações pautadas pelo respeito e pela disciplina, além de oficinas de trabalho e espaços de estudo em pleno funcionamento.
Esses elementos, integrados à atuação técnica da Polícia Penal do Paraná (PPPR), criam condições ideais para que os custodiados desenvolvam autonomia, responsabilidade e preparo para o retorno à sociedade. “Foi muito importante a visita para vermos in loco o sucesso que as Unidades de Progressão alcançaram”, afirmou a juíza de Direito e coordenadora-geral do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do TJMG, Bárbara Isadora Santos Sebe Nardy.
As UPs do Paraná são reconhecidas nacionalmente por promoverem atividades laborativas e educacionais que, além de qualificar profissionalmente os detentos, contribuem de maneira expressiva para a redução da reincidência criminal. Em unidades como a de Ponta Grossa, o índice de retorno ao sistema chega a menos de 5%, um resultado que reforça a eficácia do método baseado na integração entre segurança e oportunidade.
O coordenador regional da PPPR em Ponta Grossa, William Ribas, enfatizou que o modelo paranaense representa um avanço significativo na execução penal. “A Polícia Penal do Paraná tem trabalhado incansavelmente para garantir a segurança e também as condições para a reintegração dessas pessoas”, disse.
Durante a visita, a comitiva mineira inspecionou detalhadamente os setores de trabalho destas unidades. Foram observadas as oficinas e espaços onde os custodiados têm uma jornada de trabalho regular e, em contrapartida, a oportunidade de estudar, criando um ambiente de responsabilidade e respeito.
Para o diretor da PCE-UP, Blacito Sampaio, o intercâmbio entre os estados fortalece as políticas de execução penal em todo o país. “Ao compartilhar nosso modelo e, simultaneamente, aprender com as experiências mineiras, reafirmamos que o desenvolvimento de políticas penais eficazes depende do diálogo contínuo”, afirmou.
A coordenadora-geral Bárbara Nardy destacou ainda a maturidade do modelo paranaense, especialmente no processo de seleção dos presos, na capacitação dos policiais penais e na adoção de práticas alinhadas à justiça restaurativa. “O que mais nos impressionou foi a ausência de tensão, de hostilidade e até mesmo a limpeza das prisões”, disse a magistrada.
Ela acrescentou que a comitiva mineira pretende replicar as boas práticas observadas no Paraná. “Certamente, vamos replicar essas boas práticas do Paraná em nosso estado”, afirmou, destacando a importância do trabalho desenvolvido nas unidades visitadas para a reinserção social dos custodiados.

